Presidente da Somália escapa de atentado; explosão deixou 11 mortos

O presidente da Somália escapou por pouco de uma tentativa de assassinato que deixou seu irmão e outras 10 pessoas mortas nesta segunda-feira. Um atacante suicida detonou um carro-bomba na frente do parlamento em Baidoa, cidade sede do enfraquecido governo provisório do país. "Esse é o primeiro ataque suicida na Somália", disse o ministro de Relações Exteriores do país, Ismail Mohamed Hurre, em entrevista dada em Nairóbi, no Quênia. "E há as impressões digitais da Al-Qaeda em toda essa história", acrescentou.Apesar da insinuação, até o momento nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque a bomba, que foi seguido de tiroteio. Ainda assim, teme-se que o episódio prejudique as negociações de paz entre o governo e os fundamentalistas islâmicos que controlam a maior parte do país.Os líderes islâmicos, por sua vez, negaram estar relacionados com o incidente. Para Hurre, no entanto, ainda não é possível "afirmar ou descartar" a participação do grupo, acusado de ter ligações com a Al-Qaeda. O carro-bomba explodiu em frente ao local onde dez minutos antes o presidente Abdullahi Yusuf acabara de pronunciar um discurso, disse Mohamed Adawe, um jornalista que presenciou o incidente. Em seguida, guarda-costas do presidente perseguiram os supostos agressores, dando início a um tiroteio.Oito carros foram incendiados na explosão, inclusive três que pertenciam ao comboio presidencial. Cinco pessoas que estavam no comboio morreram na explosão, entre elas o irmão do presidente, disse Abdirahman Dinari, porta-voz do governo provisório. Mais seis pessoas morreram no tiroteio iniciado depois da explosão.A Somália não tem um governo central desde 1991, quando senhores da guerra derrubaram o ditador Mohamed Siad Barre e depois voltaram-se uns contra os outros, afundando o país no caos.O atual governo foi estabelecido há dois anos com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), mas não conseguiu expandir sua influência.Atualmente, Baidoa é a única cidade somali importante controlada pelo governo interino. O restante do país é dominado principalmente por uma milícia islâmica que se contrapõe a senhores da guerra laicos.

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