Presidente da Tunísia deixa o país e primeiro-ministro assume governo

Ben Ali já havia decretado estado de emergência e dissolvido governo em meio a protestos

estadão.com.br

14 de janeiro de 2011 | 13h33

 

Atualizado às 16h10

 

TÚNIS - O presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, abandonou nesta sexta-feira, 14, a Tunísia devido ao aumento dos distúrbios, informou a rede de televisão Al-Jazeera. Funcionários do governo confirmaram a informação à agência de notícias AFP. 

 

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O primeiro ministro Mohammed Ghannouchi disse em pronunciamento feito na televisão estatal que ele assumiu o poder no país. Mais cedo, a Al-Jazeera havia divulgado que o Exército havia tomado o controle do país.

 

O presidente já havia decretado estado de emergência nesta sexta por conta dos protestos que tomaram conta do país depois do anúncio de que o governo seria dissolvido e eleições seriam convocadas antecipadamente.

 

O estado nacional de emergência proíbe reuniões públicas e autoriza as forças de segurança a atirar contra qualquer um que se recuse a obedecer suas ordens. O espaço aéreo tunisiano também foi fechado.

 

Tiros foram ouvidos nas ruas de Túnis nesta sexta. O presidente havia pedido, na quinta-feira, que as forças de segurança usassem munição não-letal na repressão de protestos violentos, mas há relatos de mortes entre manifestantes mesmo assim.

 

Protestos

 

Os tunisianos foram às ruas nos últimos dias para protestas contra a inflação, o desemprego, a corrupção e para pedir maior abertura política. Nesta sexta, a polícia teria disparado bombas de gás lacrimogêneo contra a multidão. A cifra oficial de mortos é de 23, mas a oposição afirma que o total é bem maior.

 

Na quinta-feira, Ben Ali disse que deixaria o poder em 2014. Ele está no poder desde 1987 e é apenas o segundo presidente da história do país africano, que ficou independente em 1956. O primeiro, Habib Bourguiba, dominou o país por 31 anos.

 

O chefe do opositor Fórum Democrático para o Trabalho e Liberdades, Mustapha Ben Jaafar, afirmou que o discurso do presidente da quinta-feira "abre possibilidades". Por outro lado, o ativista defensor dos direitos humanos Mohamed Abbou afirmou que acredita que o presidente Ben Ali está "enganando os tunisianos com promessas que não tem futuro".

  

Milhares de manifestantes marcharam por Túnis para exigir a renúncia de Ben Ali. Eles gritam frases como "Fora Ben Ali" e "Ben Ali, assassino!". Por causa dos distúrbios, milhares de turistas estão sendo retirados do país, localizado no norte da África.

 

O embaixador da Tunísia na Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) renunciou em razão dos violentos distúrbios. Mezri Haddad disse à televisão francesa BFM que estava renunciando ao cargo porque não quer contribuir para algo que "é o oposto das minhas convicções e da minha consciência".

 

Com informações da BBC.

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