Christophe Ena/AP
Christophe Ena/AP

Presidente da Tunísia promete sair em 2014

Para conter protestos que já deixaram 76 mortos, Ben Ali, que está no poder desde 1987, diz que não concorrerá às próximas eleições

, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2011 | 00h00

O autocrático presidente da Tunísia, que tenta conter a onda de protestos no país que já deixou 76 mortos em um mês, anunciou ontem que não se candidatará às eleições de 2014. Zine El Abidine Ben Ali, que está no poder desde 1987, também prometeu "profundas mudanças políticas e econômicas" em um discurso em rede nacional.

Três manifestantes foram mortos ontem por disparos da polícia e um jornalista americano levou um tiro na perna durante a onda de violência que atinge a Tunísia. Na noite de quarta-feira, outras quatro pessoas morreram durante os protestos, que desafiam o toque de recolher decretado pelo governo.

A polícia foi obrigada a abandonar ontem o balneário de Hammamet, no Mediterrâneo, um refúgio da elite local e um dos principais pontos turísticos do país. A multidão incendiou agências bancárias, carros e até a mansão de um parente do presidente Ben Ali.

Os manifestantes, a maioria estudantes, estão revoltados com a inflação, o desemprego, a corrupção e a repressão do governo de Ben Ali, que está no poder desde 1987. Autoridades afirmam que a revolta é comandada por uma minoria de extremistas islâmicos.

Os protestos começaram há cerca de um mês e atingem a capital, Túnis, e as principais cidades do país. Ao todo, 76 pessoas morreram desde então em confrontos com a polícia, segundo a Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH). O governo fala em 23 mortos.

O país já enfrenta pesadas críticas da comunidade internacional. "Não podemos aceitar o uso desproporcional da força por parte da polícia contra manifestantes pacíficos", disse Maja Kocijancic, porta-voz da chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton.

Os protestos na Tunísia começaram em 17 de dezembro, quando Mohamed Bouazizi, de 26 anos, teve as mercadorias que vendia na rua apreendidas pela polícia. Desesperado, ateou fogo ao corpo e morreu. Bouazizi tinha diploma universitário, mas não conseguia emprego. / AP e REUTERS

PARA ENTENDER

Desde que ficou independente, em 1956, a Tunísia só conheceu dois presidentes. O primeiro, Habib Bourguiba, dominou o país por 31 anos em um regime de partido único. Ele foi deposto em 1987 por um golpe de Estado liderado por Zine El Abidine Ben Ali, que está iniciando seu quinto mandato de cinco anos - na última eleição, em 2009, ele obteve 90% dos votos. No Ocidente, a Tunísia era vista como um dos países mais estáveis do Norte da África, seguindo um islamismo moderado que mantém os grupos radicais longe do poder. Nos últimos meses, no entanto, o governo sofre uma pressão interna cada vez maior, principalmente por parte dos jovens, que defendem a abertura política.

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