EFE/Turkish President Press Office
EFE/Turkish President Press Office

Presidente da Turquia lamenta derrubada de avião russo

Foi a primeira vez em meio século que um membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) derrubou um avião russo e provocou uma resposta dura de Moscou

O Estado de S. Paulo

28 de novembro de 2015 | 13h00

ANCARA - O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, lamentou neste sábado, 28, a derrubada de um avião de guerra russo pelas forças armadas da Turquia. Erdogan disse que seu país está "verdadeiramente entristecido" pelo incidente e desejava que ele não tivesse ocorrido. O incidente causou a morte de um dos dois pilotos russos, enquanto o outro foi resgatado por forças especiais russas.

Foi a primeira expressão de pesar pelo líder turco desde o incidente de terça-feira, quanto um Su-24 da Rússia foi abatido por jatos F-16 da Turquia, com a alegação de que a aeronave invadiu o espaço aéreo turco depois de ser advertido diversas vezes para mudar sua rota. Foi a primeira vez em meio século que um membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) derrubou um avião russo e provocou uma resposta dura de Moscou.

"Estamos verdadeiramente tristes com esse incidente" disse Erdogan. "Gostaríamos que não tivesse acontecido, mas infelizmente aconteceu. Espero que algo semelhante não ocorra novamente". Dirigindo-se a correligionários na cidade de Balikesir, no oeste da Turquia, Erdogan disse que nenhum dos dois países deve permitir que o incidente leve a uma postura de conflito, que resultaria em "tristes consequências".

Ele renovou o apelo para realizar uma reunião paralela com o presidente Vladimir Putin durante a COP 21, conferência da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, que acontece a partir de segunda-feira, 30 em Paris. O presidente turco disse acreditar que essa seria uma oportunidade para superar as tensões.

O discurso amigável de Erdogan revela uma mudança de postura, depois que ele defendeu a ação do Exército turco e criticou a Rússia por suas operações na Síria. "Se permitíssemos que nossos direitos soberanos fossem violados, então o território deixaria de ser nosso território", disse Erdogan após o incidente.

O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, também disse que espera que uma reunião entre Erdogan e Putin aconteça em Paris. "Em tais situações, é importante manter os canais de comunicação abertos", disse ele.

Putin denunciou a ação turca como uma "punhalada traiçoeira nas costas", e tem insistido em que o avião foi abatido sobre o território sírio, o que configuraria uma violação do direito internacional. Ele também se recusou a atender telefonemas de Erdogan. O assessor de Relações Exteriores de Putin, Yuri Ushakov, disse ontem que o Kremlin havia recebido o pedido de Erdogan para uma reunião, mas não quis dizer se tal reunião será possível. Perguntado por que Putin não atendeu a dois telefonemas de Erdogan, Ushakov disse que "não houve do lado turco um pedido de desculpas imediato pelo incidente".

Após o incidente, a Rússia implantou sistemas de mísseis de defesa aérea S-400 de longo alcance em uma base na Síria, apenas 50 km ao sul da fronteira com a Turquia, para ajudar a proteger aviões de guerra russos. Os militares russos avisaram também que vão abater qualquer alvo aéreo que possa constituir uma ameaça potencial para seus aviões.

A Rússia também restringiu o acesso a turistas turcos ao país, abandonou caminhões turcos na fronteira e confiscou grandes quantidades de importações de alimentos turcos. O país ainda prepara sanções econômicas mais amplas contra a Turquia. O governo turco pediu aos cidadãos que adiem qualquer viagem para a Rússia até que a "situação fique mais clara". / AP 

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