Presidente da Ucrânia diz que decreto deve ser obedecido

O presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, afirmou nesta quinta-feira, 12, que sua ordem para dissolver o Parlamento e antecipar as eleições deve ser obedecida, desmentindo declarações de assessores de que ele poderia suspender decisão. Um alto assessor de Yushchenko, havia afirmado na última quarta-feira que o presidente estaria disposto a suspender seu decreto que ordenou a dissolução do Parlamento. No entanto, Yushchenko disse que seu ordem será mantida. Segundo ele, a decisão foi uma legítima resposta a uma tentativa do primeiro-ministro e da sua maioria parlamentar em usurpar o poder. "Formar a coligação, a maioria no Parlamento, o governo por meios ilegais, tomar decisões ilegais e ignorar a vontade dos eleitores, tudo isso faz parte da usurpação de poder", Yushchenko disse na quinta-feira, ao referir-se ao primeiro-ministro Yanukovych. Yushchenko disse, no entanto, que ele concorda em retirar a data de 27 de maio para as novas eleições, "se houver vontade política". Segundo ele, essa ação daria mais tempo para os partidos políticos se programarem e permitiria realizar mudanças nas leis que equilibrariam o poder na Ucrânia. Ele não explicou se isso obrigaria o Parlamento a restaurar os trabalhos e apenas afirmou que existe um pacote de proposta que foi entregue a Yanukovych. O primeiro-ministro e sua maioria parlamentar contestaram a ordem de Yushchenko na Corte Constitucional, que se manifestará na próxima terça-feira sobre a legalidade do decreto presidencial. A ordem para dissolver o Parlamento provocou a manifestação de dezenas de milhares de pessoas, levando a Ucrânia à maior crise política desde 2004. Nesta quinta-feira, milhares de partidários de Yanukovych voltaram a ocupar a Praça da Independência em Kiev. Em outra praça, apenas a 300 metros de distância, centenas de partidários de Yushchenko se reuniram. Yanukovych, na quinta-feira, também moderou as declarações, ao dizer que concordará com eleições antecipadas, mesmo que a Corte Constitucional decida a favor de Yushchenko. "Se a Corte declarar o decreto inconstitucional, as eleições serão possíveis se todos os participantes do processo político chegarem a um acordo político," disse Yanukovych. O porta-voz de Yanukovych, Denis Ivanesko, ressaltou no entanto que ele não concorda com eleições sob quaisquer condições. Na quarta-feira, Yanukovych havia afirmado que se as eleições para o Parlamento forem antecipas, também serão antecipadas as eleições presidenciais.

Agencia Estado,

12 Abril 2006 | 14h11

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