Presidente da Ucrânia nomeará ex-adversário como premier

O presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, desistiu nesta quarta-feira da idéia de dissolver o Parlamento do país e afirmou que nomeará seu ex-adversário na Revolução Laranja, Viktor Yanukovich, como primeiro-ministro do país. O presidente ucraniano fez o anúncio depois da meia-noite (horário local), quando venceu o prazo para que se pronunciasse sobre a candidatura de Yanukovich, promovida pela oposição, ou optasse por dissolver o Parlamento e convocasse novo pleito legislativo.Yushchenko tomou a decisão depois de o Partido das Regiões, de Yanukovich e de oposição ao Governo, ter firmado o pacto de união nacional proposto pelo chefe de Estado a fim de referendar o caráter invariável de sua política interna e externa."Acredito que esta decisão nos oferece uma nova oportunidade de unir o país", disse Yushchenko, em alusão às regiões ocidentais da Ucrânia que o apóiam em seus ideais de aproximação com o resto da Europa, contra a corrente pró-russa defendida por seus oponentes.O presidente ressaltou que essa divisão do país em "dois pólos" é uma "realidade", e que seria mantida em caso de novas eleições, enquanto sua vontade é de "unir os dois lados" mediante um compromisso político, por mais difícil que possa ser sua aceitação por parte dos partidários mais intransigentes de ambas as partes.Acrescentou que a firma do pacto de união nacional por parte de Yanukovich compromete este e sua coalizão opositora com as metas políticas de entrada do país na Organização Mundial do Comércio (OMC), na União Européia (UE) e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), principal fonte de divergência no caso."Estava otimista e apostava na possibilidade de o pacto trazer respostas referentes à unidade da Ucrânia, pois estou convencido de que ninguém quer de verdade dividir o país, assim como todos querem evitar o federalismo e o separatismo", ressaltou.O presidente ucraniano propôs na quinta-feira passada a assinatura desse pacto para superar a crise política em que se encontra envolvido o país desde as eleições parlamentares de março último pela falta de consenso sobre o futuro primeiro-ministro.O prazo constitucional de 15 dias para que o chefe de Estado se pronunciasse sobre a proposta parlamentar venceria à meia-noite desta quarta para quinta-feira (horário local), e formalmente a única alternativa à rejeição da candidatura de Yanukovich envolvia a dissolução do Poder Legislativo nacional.

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