Presidente da Ucrânia visita cidade portuária em meio a cessar-fogo "frágil"

A trégua se mantinha em grande parte nesta segunda-feira, embora os dois lados tenham se acusado de bombardeios esporádicos

ALEKSANDAR VASOVIC E GABRIELA BACZYNSKA, REUTERS

08 de setembro de 2014 | 18h18

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, visitou a cidade portuária de Mariupol, no leste ucraniano, nesta segunda-feira, e prometeu “uma derrota esmagadora” sobre os rebeldes pró-Rússia reunidos no limiar da cidade se estes tentarem avançar, violando o acordo de cessar-fogo em vigor.

“Ordenei (aos militares) que garantam a defesa de Mariupol com howitzers (peça de artilharia), múltiplos lançadores de foguetes, tanques, armamento anti-tanque e cobertura aérea”, declarou Poroshenko a uma plateia de metalúrgicos no porto próximo da divisa com a Rússia.

O cessar-fogo, que entrou em vigor na noite de sexta-feira, é parte de um plano de paz cuja meta é encerrar o conflito de cinco meses que o enviado de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) disse já ter matado mais de três mil pessoas.

A trégua se mantinha em grande parte nesta segunda-feira, embora os dois lados tenham se acusado de bombardeios esporádicos, inclusive em Mariupol, pouco depois da chegada do presidente na cidade de cerca de meio milhão de habitantes.

A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que monitora o cessar-fogo, exortou as partes a buscar um “avanço” político, embora o governo e os rebeldes divirjam muito sobre o futuro do leste ucraniano, onde os separatistas não aceitam o comando de Kiev.

"Mariupol era, é e sempre será ucraniana”, afirmou Poroshenko. “O inimigo sofrerá uma derrota esmagadora”.

Mas o mandatário concordou com o cessar-fogo e um plano de paz mais abrangente depois que os rebeldes – apoiados pelo poder de fogo russo, afirma Kiev, mesmo diante das negativas russas – obtiveram grandes conquistas no campo de batalha recentemente.

FRAGILIDADE

A Suíça, na presidência rotativa da OSCE, descreveu o cessar-fogo como “frágil” e afirmou que os próximos dias serão cruciais.

O presidente suíço, Didier Burkhalter, disse que a trégua por si só não basta, acrescentando: “Todos os envolvidos precisam realmente se esforçar para concretizar um avanço (político)”.

Após sua visita a Mariupol, Poroshenko afirmou que vários países da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) concordaram em fornecer armas diretamente para a Ucrânia durante a cúpula anual da entidade no País de Gales, na semana passada.

Mais cedo, o porta-voz militar ucraniano, Andriy Lysenko, declarou em um informe à imprensa em Kiev que as forças ucranianas estão mantendo o cessar-fogo, exceto em casos de autodefesa, e que permanecem em suas posições desde sexta-feira.

Lysenko disse nesta segunda-feira que a Ucrânia não detectou sinais de movimentação de tropas da Rússia ao longo da fronteira nas últimas 24 horas.

Em Donetsk, bastião dos rebeldes no leste ucraniano, as autoridades declararam a segunda-feira um feriado público para marcar a expulsão dos “fascistas” de Donbass, região altamente industrializada onde a maioria da população fala russo.

Os separatistas vêm usando a palavra “fascista” para indicar o governo central de Kiev desde que Viktor Yanukovich, antecessor de Poroshenko que era apoiado por Moscou, fugiu para a Rússia em fevereiro depois de meses de manifestações antigoverno na capital ucraniana.

(Reportagem adicional de Thomas Grove e Timothy Heritage em Moscou, Pavel Polityuk em Kiev, Philip Stewart em Ancara e Stephanie Nebehay em Genebra)

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