Presidente da Zâmbia morre em Londres

Presidente da Zâmbia morre em Londres

Vice de Sata assume interinamente e se torna o primeiro chefe de Estado branco na África desde o apartheid

O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2014 | 11h49

LUSAKA - O presidente da Zâmbia, Michael Sata, conhecido como "Rei Cobra" em razão dos comentários maldosos, morreu em Londres, onde estava sob tratamento médico, informou nesta quarta-feira, 29, o governo do país.


O vice-presidente Guy Scott assume interinamente. Com isso, pela primeira vez desde o apartheid, um país africano será governado por um branco.O último chefe de Estado branco da África foi FW de Klerk, na África do Sul, em 1994.

Sata, cujos ataques a companhias estrangeiras de mineração atrapalharam investidores, morreu na noite de terça-feira no Hospital Rei Edward 7.º, de acordo com os sites Zambia Reports e Zambian Watchdog. Ele tinha 77 anos. 

A causa da morte não foi imediatamente revelada, mas Sata, que tornou-se presidente do segundo maior produtor de cobre da África em 2011, já estava doente há algum tempo. "Como vocês estão sabendo, o presidente estava recebendo tratamento médio em Londres", disse o secretário de gabinete Roland Msiska a uma TV estatal. "O chefe de Estado faleceu em 28 de outubro. A morte do presidente Sata é profundamente lamentada."

O ministro da Defesa, Edgar Lungu, disse que uma nova eleição presidencial será realizada dentro de três meses. A maioria dos analistas diz que Scott não deve concorrer em razão de restrições à sua cidadania. 

Analistas disseram que investidores não devem sentir falta do estilo de confrontos de Sata. O presidente Sata tem sido uma figura divisiva da Zâmbia no front econômico, adotando medidas autoritárias e políticas ad hoc contra o crucial setor de mineração nos últimos anos, o que prejudicou o investimento", disse a consultoria sul-africana ETM. "A morte do presidente pode abrir caminho para uma administração mais reformista e ajudar a remover as amplas incertezas políticas."

O variado currículo de Sata incluía serviços como policial, funcionário de linha de produção automotiva, sindicalista comercial e auxiliar de limpeza de plataforma na estação de Vitória, em Londres.

Ele deixou a Zâmbia no dia 19 para receber tratamento médico, acompanhado da mulher e outros parentes. / REUTERS

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