Presidente de Angola promete cessar-fogo com a Unita

O presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, disse hoje, após almoçar com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no Itamaraty, que seu governo está empenhado em obter um cessar-fogo "o mais depressa possível" com a União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), no conflito que já dura quatro décadas. Ele descartou o envio de mais tropas da Organização das Nações Unidas (ONU) e destacou que o momento atual é de reconstruir o país. Eleições livres, só depois de encerrado o processo de paz.Santos esteve com Fernando Henrique por cerca de uma hora e meia. Nos últimos dias, ele passou por Portugal e Estados Unidos, onde reuniu-se com o presidente norte-americano, George W. Bush, e dirigentes de outros países africanos. Sua vinda ao Brasil teve como objetivo expor ao presidente brasileiro a nova situação política de Angola, após a morte, na semana passada, do líder da Unita, Jonas Savimbi, numa emboscada do exército angolano."A guerra está no fim", afirmou Santos, argumentando que a Unita opera atualmente apenas com "forças residuais". Segundo ele, Fernando Henrique disse que o momento é favorável à paz no país africano e mostrou-se disposto a "ajudar Angola a dar passos firmes para estabelecer um cessar-fogo e iniciar o processo de reconstrução do país". O presidente angolano afirmou ter orientado as forças armadas a buscarem a paz.Nas próximas semanas, uma equipe de seu governo deverá vir ao Brasil para discutir novas formas de cooperação. "Há espaço para que mais empresas brasileiras se instalem em Angola", disse Santos, citando possíveis áreas de atuação conjunta como a de petróleo, mineração, agricultura, construção civil e geração de energia hidrelétrica. "Precisamos investir em infra-estrutura, com a construção de estradas, pontes, captação de água, geração de energia elétrica, hospitais", afirmou o presidente angolano, cujo embarque rumo a seu país está previsto para hoje.Saudado por Santos como "amigo", Fernando Henrique mantém contato freqüente com o presidente de Angola. Em 1975, o Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência da nação africana. "Diante dos novos fatos, entendi que deveria transmitir ao presidente informações sobre a situação e perspectivas de evolução em Angola", disse Santos.

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