Presidente de Angola quer cessar-fogo com a Unita

O presidente de Angola disse hoje que quer negociar um cessar-fogo com a Unita, cujo líder Jonas Savimbi foi morto na semana passada, como um primeiro passo para o desarmamento do grupo rebelde e o fim da longa guerra civil do país. "Meu governo está considerando dar rápidos passos a fim de normalizar a situação política em Angola, obviamente começando pela busca de um caminho que nos leve, urgentemente, a um cessar-fogo", afirmou o presidente José Eduardo dos Santos. "Nosso objetivo é criar pontes para que o mais rápido possível alcancemos um cessar-fogo que permita a desmilitarização da Unita".Savimbi foi morto na sexta-feira numa ofensiva do Exército. Ele havia fundado o grupo em 1996 para combater a administração colonial de Portugal e voltou-se contra o governo depois da independência de Angola em 1975.Um representante da Unita advertiu que o grupo só vai suspender a luta depois que o governo declarar um cessar-fogo unilateral. "Se houver um cessar-fogo unilateral, a Unita iria suspender também as hostilidades e começar a negociar", disse Carlos Morgado, um integrante da Unita em Lisboa. "Não iremos entregar nossas armas, mas estamos prontos para negociar o fim da guerra".Em contato com oficiais da Unita em Angola, ele foi informado que o Exército mantém a ofensiva contra unidades rebeldes. Morgado afirmou que altos oficiais da Unita tentam organizar uma reunião dentro de Angola para se escolher um novo líder.José Eduardo, que acumula o cargo de primeiro-ministro de Angola, reuniu-se com o presidente português, Jorge Sampaio. "Savimbi lutou até o fim por seus ideais, por seu projeto (político). Recentemente ele fez alguns julgamentos incorretos sobre a situação e suas capacidades", disse José Eduardo. "Temos de olhar para o futuro. Todos os elementos da sociedade têm de ser capazes de perdoar... e alcançar a reconciliação nacional", considerou. José Eduardo deve viajar na noite de hoje para os Estados Unidos, onde se reunirá nesta terça-feira com o presidente George W. Bush.

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