Presidente de audiência é parcial, diz defesa de fonte do WikiLeaks

Procedimento judicial decide se militar acusado de fornecer documentos ao site de Julian Assange enfrentará corte marcial

FORT MEADE, EUA, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h07

A primeira audiência judicial sobre o caso do soldado americano Bradley Manning, acusado de fornecer milhares de documentos secretos ao site WikiLeaks, foi marcada por uma discussão sobre a imparcialidade do oficial que preside o procedimento - que determinará se o suspeito será submetido à corte marcial. Caso enfrente um julgamento militar, Manning, que hoje completa 24 anos, poderá ser sentenciado à prisão perpétua.

David Coombs, advogado civil do ex-analista de inteligência, alega que o tenente-coronel da reserva Paul Almanza não pode ser imparcial sobre o caso e deve deixar o cargo de presidente desse procedimento porque atua como promotor do Departamento de Justiça, que conduz uma investigação criminal contra o fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange.

Almanza não aceitou o argumento e se recusou a deixar o cargo. O advogado afirmou que vai recorrer a uma corte militar de apelações.

Trajando um uniforme camuflado e usando óculos de aros escuros, Manning ficou calado durante toda a audiência, às vezes fazendo anotações.

Do lado de fora da base de Fort Meade, em Maryland, onde ocorre o julgamento, cerca de 50 apoiadores do soldado montaram uma vigília. Alguns deles marcharam ostentando uma faixa com a frase "Rede de apoio a Bradley Manning". Os manifestantes convocaram um novo protesto para hoje. Depois de iniciada a audiência, alguns deles foram levados para um auditório, onde puderam acompanhar a sessão.

Manning foi detido em maio de 2010, dois meses antes da primeira grande publicação de documentos secretos pelo WikiLeaks, sobre a guerra no Afeganistão. Em março deste ano, quando registrou seus indiciamentos contra o soldado, o Exército americano acusou-o de extrair e transmitir ilegalmente dados ao "inimigo". / AP

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