Presidente de Chade manda que gigantes do petróleo deixem o país

O presidente de Chade, Idriss Deby, ordenou, neste sábado, que as companhias petrolíferas norte-americana Chevron-Texaco e a Petronas - abreviação de Petroliam Nasional Berhad (Petronas), empresa estatal com sede na Malásia - deixem o país. "Chade decidiu que, a partir de amanhã, a Chevron-Texaco e a Petronas devem abandonar o país, uma vez que as empresas se recusam a pagar seus impostos", anunciou o presidente, em discurso transmitido pela rádio estatal.Deby acrescentou que o governo vai assumir o controle de 60% das reservas de petróleo de Chade que estavam nas mãos das duas companhias. As duas empresas integram um consórcio, liderado pela Exxon Mobil, para explorar o petróleo no país. Em seu discurso, o presidente deu um prazo de 24 horas para que as empresas comecem a sair do país. Não ficou claro se as companhias teriam que sair do país neste domingo ou se o deadline será prolongado. O número de funcionários mantidos pelas empresas no país era desconhecido.O presidente declarou que o país, que está no meio de um processo de criação de uma companhia nacional de petróleo, assumirá a responsabilidade pelos campos petrolíferos que as companhias norte-americana e malaia estavam gerenciando. O porta-voz da Petronas, Sabri Syed, afirmou que não poderia comentar o assunto, enquanto a Chevron recomendou que os repórteres procurassem a Exxon Mobil. A produção e exportação de petróleo de Chade, um país africano vizinho da Líbia, Sudão e Nigéria, têm sido controladas pelo consórcio liderado pela Exxon Mobil, com sede no Texas. Pelo termo do acordo, a Exxon responde por 40% da produção, enquanto a Chevron e a Petronas detém, cada uma, 30% da produção. As três companhias concordaram em financiar os US$ 4,2 bilhões destinados à construção de um oleoduto de 1.060 quilômetros para levar o petróleo de Chade até o porto de Kribi, nos Camarões. As empresas concordaram em investir esses recursos após o Bando Mundial der dado o aval ao projeto e após Chade ter aprovado uma lei respaldada pelo Banco Mundial, que prevê a alocação das receitas com o petróleo em projetos de saúde, educação e infra-estrutura.De outubro de 2003 até dezembro de 2005, o consórcio exportou cerca de 133 milhões de barris de petróleo extraído de Chade, de acordo com informações do Banco Mundial. Em um comunicado distribuído após o pronunciamento televisivo, o presidente de Chade afirmou que a Petronas e a Chevron fizeram milhões, mas a parte que coube ao país foi, decididamente, menor do que o combinado."Em menos de três anos de exploração, o consórcio recebeu um benefício de US$ 5 bilhões para um investimento de US$ 3,5 bilhões, enquanto o nosso país recebeu apenas US$ 500 milhões, o que representa apenas 12,5%", disse o presidente. "Estamos convictos que as receitas oriundas dos nossos minérios e minerais devem servir para o desenvolvimento do nosso país e para a felicidade de nossa população", declarou. O projeto do oleoduto tem sido problemático para Chade. Em janeiro, o Bando Mundial congelou US$ 125 milhões em receitas com petróleo e cortou US$ 124 milhões em ajuda financeira ao país, acusando o governo de não cumprir com a promessa de direcionar os recursos para os pobres. No mês passado, o governo fechou um acordo com o banco, no qual se comprometeu a direcionar 70% de seu orçamento para programas de desenvolvimento e de redução da pobreza. Mas o Banco Mundial também autorizou que 30% das receitas fossem para o Tesouro central de Chade, em vez de apenas 15%. Chade poderia alocar os recursos para fins diversos, incluindo armamentos. A declaração de Deby foi dada um dia após o presidente ter convocado a população a ter uma participação mais ativa na produção de petróleo.

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