Sergei Chirikov/Efe
Sergei Chirikov/Efe

Presidente de Comissão Eleitoral não renuncia apesar de denúncias na Rússia

Irônico, oficial simplesmente ignorou acusações da oposição sobre eleições parlamentares

Efe

27 de janeiro de 2012 | 11h15

MOSCOU - O presidente da Comissão Eleitoral Central (CEC) da Rússia, Vladimir Chúrov, se negou a renunciar nesta sexta-feira, 27, pelas denúncias de fraude nas eleições legislativas, durante um comparecimento na Câmara dos Deputados. O oficial, que é acusado de manipular os resultados eleitorais para que o partido governista Rússia Unida conseguisse a maioria absoluta na Duma, recorreu à ironia para ignorar todas as acusações da oposição para que abandone o cargo.

 

O deputado do Partido Liberal Democrático (PLD), Igor Lebedev, afirmou que se Chúrov renunciasse os russos guardariam uma boa lembrança dele, segundo informaram as agências russas. Já o chefe da CEC pediu aos deputados opositores que não aproveitem a sessão parlamentar para fazer campanha objetivando as eleições presidenciais de 4 de março.

 

Chúrov centrou seu discurso em criticar os deputados por enviar um número insuficiente de observadores aos colégios durante as eleições de 4 de dezembro. "Infelizmente, tivemos menos observadores que os senhores, respeitados colegas, prometeram. Os senhores me prometeram enviar um milhão de observadores nos 96 mil colégios, mas enviaram apenas 269 mil", disse, citado pelas agências russas.

 

Aleksandr Bastrikin, chefe do Comitê de Instrução, afirmou que a maioria dos processos penais fazem alusão a violações eleitorais a favor do Rússia Unida. Entre os casos mais flagrantes, o chefe de uma comissão eleitoral foi surpreendido quando introduzia 21 cédulas a favor do partido nas urnas.

 

Na região central de Bashkiria, um membro de uma comissão ofereceu dinheiro a estudantes universitários em troca de encher as urnas com 200 votos do partido liderado pelo primeiro-ministro, Vladimir Putin.

 

Nas próximas horas, a Câmara tentará emitir uma declaração sobre as eleições legislativas, que geraram em dezembro os maiores protestos antigovernamentais dos últimos 20 anos. A renúncia de Chúrov é uma das principais exigências da oposição não parlamentar, que voltará a se manifestar dia 4 de fevereiro.

 

O presidente russo, Dmitri Medvedev, classificou nesta quarta-feira as últimas eleições como "as mais limpas" da história contemporânea da Rússia. 

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