Presidente de Israel deve renunciar caso seja processado

O presidente de Israel, Moshe Katsav,renunciará caso o assessor jurídico do governo decida aceitar as recomendações feitas no domingo pela polícia para processá-lo por uma longa série de delitos, entre eles dois de estupro. "Acho que se esse é o caso, Katsav efetivamente renunciará", confirmou o advogado do presidente, Tzion Amir, em entrevista à rádio pública israelense, após tomar conhecimento de que a polícia recomendou a abertura de inquérito contra seu cliente. Segundo Amir, ainda é cedo para tomar essa decisão, porque "não seria a primeira vez que a polícia recomenda o processo de um político de primeira linha e depois o assessor jurídico rejeita as recomendações". Katsav pode enfrentar os tribunais se o chefe da procuradoria e assessor jurídico do Executivo, Menachem Mazuz, aceitar a recomendação de abertura de inquérito feita pelos dois oficiais depolícia que investigaram o caso. Segundo os investigadores, há provas suficientes para processar o presidente de Israel em pelo menos dois delitos de estupro, vários de agressão sexual e assédio, e outros de escutas telefônicasilegais, obstrução à Justiça, violação da confiança e uma longa lista de delitos menores. Mal-estar no ParlamentoO escândalo está causando um grande mal-estar no Parlamento (Knesset), onde muitos deputados aderiram a um boicote contra o presidente israelense na abertura das sessões de inverno. O presidente israelense costuma entrar no Parlamento ao som de trombetas, momento no qual os deputados se levantam em sua honra. "Não sairei da Câmara por respeito à Instituição da Presidência, mas claro que será difícil para mim me levantar quando ele entrar, porque não quero honrar uma pessoa acusada de estupro", disse a deputada progressista Zehava Galon. Galon afirmou que, assim como outros deputados, se levantará em respeito à Presidência, mas o fará com a cabeça baixa e com a esperança de que "a vergonha passe rápido". Desde a noite de domingo são muitos os deputados que pediram a Katsav que se abstenha de inaugurar o período de sessões do Parlamento, a fim de evitar um escândalo maior. A imprensa especula qual será o alcance do protesto parlamentar, já que diversos deputados asseguraram que permanecerão sentados ou não participarão da sessão festiva para não terem delevantar-se diante do presidente. O protesto se estendeu inclusive ao partido nacionalista Likud, onde três de seus dirigentes máximos, Limor Livnat, Gideon Sa´ar e Gilad Erdan, anunciaram que vão aderir ao boicote. Ao contrário de outras ocasiões, Katsav não falará no Parlamento e, segundo seus assessores, se limitará a presenciar a abertura das sessões, embora se desconheça se ele fará isso do seu assento reservado na galeria ou na própria Câmara, como é costume.

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