Mike Segar/ REUTERS - 28/1/2015
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Presidente de Israel encarrega Netanyahu de formar novo governo

Reuven Rivlin diz que nenhum candidato tem apoio suficiente para formar a maioria; premiê israelense, que enfrenta paralelamente um julgamento por corrupção, terá um prazo de duas semanas, que pode ser prorrogado por outras duas

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2021 | 07h48

TEL AVIV — O presidente de Israel, Reuven Rivlin, encarregou nesta terça o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu de tentar formar um governo após a quarta eleição inconclusiva em dois anos, no último dia 23. Após consultas, Rivlin disse que nenhum candidato tem apoio suficiente para formar a maioria, mas escolheu o premiê porque seu nome foi o que despertou mais indicações.

A indicação coincide com as audiências do julgamento por corrupção que tem Netanyahu como alvo, acusado de fraude, abuso de poder e suborno. 

Se o premiê mais longevo da história israelense não for bem-sucedido na tarefa, o país ficará às margens de uma quinta eleição desde 2019, prolongando um impasse político sem precedentes e a polarização centralizada na figura do premiê e em suas tentativas de permanecer no poder.

Após dois dias de consulta com todos os blocos parlamentares, Rivlin deixou claro que nenhum candidato conseguiu chegar aos 61 assentos necessários para ter a maioria no Knesset, o Parlamento israelense.

Netanyahu e o seu direitista Likud, que conquistou 30 cadeiras no pleito de março, conseguiu chegar a 52 assentos com o apoio das siglas religiosas Shas, Judaísmo Unido da Torá (JUT) e Sionismo Religioso, este associado à extrema direita e a grupos acusados de atos de violência contra árabes.

O partido centrista Yesh Atid, liderado por Yair Lapid, conseguiu 45 cadeiras, juntando-se com o também centrista Azul e Branco; o Partido Trabalhista, de centro esquerda; o nacionalista secular Yisrael Beitenu; e o Meretz, de esquerda. 

“Nenhum candidato tem chance realista de formar um governo que terá a confiança do Knesset”, Rivlin disse, afirmando que se tivesse tal poder, daria a questão para que o Parlamento resolvesse. “Netanyahu tem uma chance um pouco mais alta de fazê-lo, então decidi confiá-lo a tarefa.”

Julgamento por corrupção

Enquanto as lideranças políticas de Israel se reúnem para negociar a formação de um governo e tentar colocar um fim à crise política no país, o julgamento do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu foi retomado na segunda-feira, 5. O premiê é acusado de corrupção, fraude e abuso de poder em três casos.

As audiências do julgamento foram repetidamente adiadas nos últimos meses por causa da pandemia de covid-19, mas puderam ser reiniciadas em Jerusalém após a flexibilização das medidas de contenção da pandemia. O processo é considerado fundamental para a sobrevivência política do premiê.

Há 15 anos no poder, Netanyahu é o primeiro chefe de governo da história de Israel a ser julgado durante o exercício do cargo. O primeiro-ministro está sendo julgado em três casos distintos. Em dois deles é acusado de tentar garantir coberturas favoráveis em meios de comunicação locais em troca de favores do governo. No terceiro caso, Netanyahu e membros de sua família são suspeitos de terem recebido presentes – charutos de luxo, garrafas de champanhe e jóias – de famosos em troca de favores financeiros ou pessoais.

Netanyahu se diz inocente das acusações de suborno, fraude e abuso de poder, afirmando que não passam de uma “caça às bruxas” para tirá-lo do governo. Ele compareceu ao tribunal em Jerusalém de máscara, sendo recebido por manifestantes antigoverno e apoiadores, e permaneceu na sessão por cerca de uma hora, saindo antes dos depoimentos das testemunhas começarem.

A promotoria acusa o primeiro-ministro mais longevo de Israel de usar “o grande poder do governo que lhe foi conferido para, entre outras coisas, demandar e obter benefícios impróprios dos donos de importantes mídias de Israel para avançar seus assuntos pessoais”.

“A relação entre Netanyahu e os réus tornou-se uma moeda de troca, algo que podia ser negociado”, afirmou a promotora Liat Ben Ari em seu discurso inicial. “Isso pode distorcer o bom-senso de um servidor público”.

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