JACK GUEZ / AFP
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Presidente de Israel diz que protestos de etíopes expõem 'feridas' do país

Netanyahu se encontrou com membros da comunidade etíope e pediu "unidade contra o racismo"

O Estado de S. Paulo

04 de maio de 2015 | 17h18

TEL-AVIV, ISRAEL - O presidente de Israel, Reuven Rivlin, disse que os violentos protestos envolvendo os judeus etíopes haviam "exposto uma ferida aberta, sangrando no coração da sociedade israelense" e o país deveria responder a isso. Detentor do cargo apenas cerimonial, Rivlin falou após milhares de manifestantes etíopes entrarem em confronto com a polícia em Tel-Aviv, em uma cena sem precedentes de distúrbios e descontentamento. Os confrontos refletem a frustração disseminada na comunidade etíope, que chegou há três décadas a Israel, mas tornou-se uma "subclasse", enfrentando a pobreza, a criminalidade e o desemprego.

Os israelenses etíopes já realizaram manifestações no passado, mas raramente elas haviam se tornado violentas, e nunca na escala dos distúrbios vistos no domingo. Os manifestantes fecharam uma importante rodovia de Tel-Aviv, lançaram pedras e garrafas contra policiais e viraram uma viatura. Eles foram dispersados com gás lacrimogêneo, jatos d'água e bombas de efeito moral. Mais de 60 pessoas ficaram feridas e 40 foram detidas.

O estopim dos protestos foi uma gravação mostrando um israelense etíope em uniforme do Exército apanhando de dois policiais na semana passada. Nesta segunda-feira, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se reuniu com o soldado etíope agredido, Danas Pakedeh, por policiais israelenses e com líderes dessa comunidade.

Netanyahu disse ao soldado ter ficado "horrorizado" com as imagens do vídeo. O premiê também se reuniu com membros da comunidade etíope e pediu "unidade contra o racismo".

A violência pegou desprevenida boa parte do país e o governo. Rivlin disse que Israel estava vendo "a dor de uma comunidade excluída diante de um senso de discriminação, de racismo e de não ser ouvida". "Nós devemos olhar diretamente para esta ferida aberta. Nós erramos. Não olhamos, e não ouvimos o suficiente", afirmou. "Nós não somos estranhos um para o outro, somos irmãos e não devemos decair para um lugar no qual todos lamentaremos."

Hoje, há 120 mil judeus etíopes vivendo em Israel, uma pequena minoria em um país de 8 milhões de habitantes. A absorção desse grupo, porém, tem sido problemática, com muitos sem acesso a uma educação moderna, desempregados e pobres, enquanto suas estruturas familiares se desintegram. / ASSOCIATED PRESS

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