Menahem Kahana/AFP
Menahem Kahana/AFP

Presidente de Israel pede governo provisório e Likud se divide sobre futuro de Netanyahu

Deputados terão de escolher governo provisório para evitar terceira eleição em menos de um ano; rival de premiê quer desafiá-lo na liderança do partido

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2019 | 12h19

JERUSALÉM - O presidente de Israel, Reuven Rivlin, pediu nesta quinta-feira, 21, ao Parlamento a indicação de um primeiro-ministro para superar o impasse provocado pelas últimas eleições no país, nas quais nem o premiê Binyamin Netanyahu, nem o líder da oposição, Benny Gantz, conseguiram formar uma coalizão de governo. 

O impasse aumentou a pressão sobre Netanyahu. Com problemas na Justiça israelense, o premiê pode ser indiciado por corrupção no fim do mês. Ele também enfrenta sinais de dissidência no seu partido, o Likud, depois de um ex-aliado, o ex-ministro da Educação Gideon Saar, ter pedido a realização de uma eleição primária para tirar Bibi da liderança da legenda. 

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Mais cedo, Rivlin informou à Knesset, o Parlamento de Israel, que, pela primeira vez desde a criação do país, nenhum partido conseguiu formar governo. Com isso, os deputados terão de eleger um dos membros da casa por maioria simples para impedir a convocação de uma terceira eleição em menos de um ano. 

“É uma situação política muito triste”, disse Rivlin. “Vivemos uma das épocas mais importantes para reencontrar o significado do Estado de Israel. Não se enganem. Éssa política disruptiva precisa acabar.” 

Rivlin alertou ainda os membros do Parlamento para o risco de uma nova eleição. “Não é razoável pensar que haverá uma formação de coalizão após dois fracassos”, acrescentou. “Teremos de formar um governo no Parlamento para unir o país.”

Rejeição a ortodoxos motivou impasse

Netanyahu, Gantz ou qualquer outro deputado, em tese, pode se apresentar como candidato nas próximas três semanas. Dado o grau de impasse provocado pela cisão entre Netanyahu e seus aliados religiosos, e seculares liderados por Gantz e o ex-chanceler Avigdor Lieberman, uma terceira eleição é o cenário mais provável. E assim como as duas anteriores, sem perspectiva de formação de governo. 

O impasse acontece porque Netanyahu se recusa a abandonar sua aliança com partidos ultraortodoxos. Lieberman rompeu com ele por não aceitar que esses religiosos sigam isentos de prestar serviço militar e com algumas outras benesses. 

Gantz precisa do apoio de Liberman para ter maioria no Parlamento, mas o ex-chanceler se nega a fazê-lo em virtude do apoio, ainda que ocasional,  de partidos árabes a Gantz. 

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Uma saída possível seria um governo de união entre o Likud e o Partido Azul e Branco, de Gantz. Para isso, no entanto, Gantz exige que Netanyahu deixe a liderança do Likud.

“A política israelense é muito personalista  e os aliados de Gantz não estão dispostos a trabalhar com Netanyahu”, diz a cientista política Yedidia Stern, do Instituo de Democracia de Israel. “Não há futuro num governo de união num cenário como o atual.”

Ainda de acordo com a analista, não há perspectiva de solução fácil no horizonte. “A perspectiva é sombria, a não ser que alguém ceda”, acrescentou. “Novas eleições não mudarão nada.”

Quem é Gideon Saar

Uma eventual ascensão de Saar como líder do Likud solucionaria o impasse, mas a manobra é vista como arriscada em um partido tradicional, que valoriza a liderança e a lealdade, dizem analistas.

Saar ganhou protagonismo na política israelense em 2005, quando se opôs à retirada de tropas do país da Faixa de Gaza. Aliou-se a Netanyahu em 2009 e foi ministro do Interior e da Educação. Ao crescer no partido, passou a ser visto pelo premiê como uma ameaça e deixou a política em 2014, para dedicar tempo à família.

Apesar das posições radicais, é respeitado por opositores e visto como um parceiro de coalizão mais palatável que Netanyahu por lideranças do Partido Azul e Branco. / AP e EFE

 

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