EFE/EPA/JINIPIX
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Presidente de Israel pede que Gantz forme novo governo no País

Contrariando pesquisas boca de urna, líder da oposição garantiu vitória pela margem mínima em consulta ao Parlamento

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2020 | 12h47

JERUSALÉM - O presidente de Israel, Reuven Rivlin, pediu nesta segunda-feira, 16, que o líder do partido de centro Azul-Branco, Benny Gantz, inicie a formação de um novo governo, ao qual será convidado a participar seu rival Binyamin Netanyahu.

"Farei todo o possível para formar um governo nacional patriótico o mais amplo possível", afirmou Gantz depois de receber o mandato de Rivlin.

Após as eleições legislativas de 2 de março, as terceiras em menos de um ano, o Likud, partido de direita de Netanyahu, conquistou o maior número de cadeiras: 36 de um total de 120 no Parlamento, contra 33 do Azul-Branco. Mas, após consultas com os representantes dos partidos eleitos para o Parlamento, 61 deputados recomendaram Benny Gantz a Rivlin, contra 58 para Netanyahu. 

Gantz ganhou o apoio da Lista Unida, partido da minoria árabe israelense que tem 15 assentos no Parlamento, que o recomendou a Rivlin, assim como do partido de direita nacionalista laico Israel Beiteinou de Avigdor Lieberman. Apesar disso, não é certo que ele consiga formar um governo devido às diferenças entre seus apoiadores. Lieberman já recusou no passado a participar de um governo apoiado pelos partidos árabes israelenses.

"É por isso que estou dando a você a oportunidade de formar um governo", declarou Rivlin, falando a Benny Gantz, ex-chefe de Estado Maior.

Gantz apelou à "unidade" e convidou os líderes partidários a se unirem a ele. "É hora de os líderes dos partidos, em particular o Likud, decidirem se querem seguir o caminho da unidade", disse, enfatizando que "era absolutamente necessário evitar uma quarta eleição". 

Benny Gantz tem 28 dias para apresentar seu governo.

Coronavírus, chave do acordo

"É um período curto, mas, dadas as atuais circunstâncias de emergência nacional e internacional, é longo demais", disse o presidente de Israel. No domingo, 15, Rivlin convocou Netanyahu e Gantz para discutir a formação de um governo "o mais rápido possível", para se concentrar no combate ao novo coronavírus.

Cinco novos casos de contaminação foram registrados em Israel, elevando o número total para 255. Além disso, dezenas de milhares de pessoas estão confinadas.

Em Israel, é necessário o apoio de 61 dos 120 membros do Parlamento para constituir um gabinete. Após as eleições anteriores em abril e setembro de 2019, nenhum bloco conseguiu atingir esse número. Após as duas eleições anteriores, Gantz se recusou a participar de um governo liderado por Netanyahu.

Primeiro-ministro mais longevo da história de Israel, Netanyahu também é o primeiro chefe de Governo na história do país a ser indiciado durante seu mandato. É processado por corrupção, malversação e quebra de confiança em três casos e seu julgamento deve começar em maio. 

Netanyahu alega inocência e afirma ser vítima de uma "caça às bruxas". Seu julgamento, que deveria começar na terça-feira, foi adiado para 24 de maio devido à disseminação do coronavírus.

Nesta segunda, os 120 membros do Knesset, o Parlamento israelense, deverão prestar juramento, mas devido à epidemia, o farão de três em três e haverá "não mais do que 10 pessoas na sala plenária ao mesmo tempo"./AFP

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