Presidente de Israel pode ser condenado a 16 anos de prisão

O presidente de Israel, Moshé Katsav, suspeito de crimes sexuais contra quatro mulheres, entre eles estupro, pode ser condenado a 16 anos de prisão, pena máxima prevista na lei do país, além de sofrer forte pressão para renunciar o cargo. Katsav, que negou as acusações, dará uma entrevista coletiva às 19h30 (15h30 de Brasília), segundo seu gabinete, para fazer seus primeiros comentários públicos desde a divulgação dos detalhes da proposta de indiciamento pelo Ministério da Justiça, na terça-feira. A ministra de Justiça e também titular das Relações Exteriores israelense, Tzipi Livni, pediu ainda nesta quarta-feira que o presidente Katsav renuncie a seu cargo. Livni fez essa chamada em sua função de ministra da Justiça,cargo que ocupa provisoriamente porque o ex-titular, Haim Ramon,está suspenso também devido a um crime sexual.A sentença de 16 anos é relativa ao suposto estupro de umafuncionária sua na época em que Katsav era ministro do Turismo,entre 1998 e 1999. Em outro caso caracterizado como suposta violação, a da ex-chefedo gabinete de Katsav, a pena é de três anos. A diferença deve-se aofato de que o ato teria tido o consentimento dela, mas realizado comabuso de autoridade. Katsav, que tem dois filhos advogados, recebeu com lágrimas uma comunicação do procurador-geral da nação, Menachem Mazuz, queconsidera a possibilidade de ordenar seu processamento, afirmaramfontes da família do presidente. Uma das duas mulheres que o processaram, cujas identidades sãodesconhecidas, disse aos jornalistas: "Eu me sinto aliviada, a Justiça começa a aparecer". As declarações foram uma alusão a queixas feitas pela advogada deuma ex-chefe do escritório da Presidência, segundo a qual Katsav eseus advogados "orquestraram uma campanha para desvirtuar os fatosReais". Os advogados do presidente dizem ter mostrado aos investigadoresda Polícia Nacional - que receberam de Mazuz a ordem de interrogar opresidente em julho do ano passado - cartas das mulheres queprocessaram elogiando-o e pedindo-lhe trabalho. Os quatro processos ativos estão entre quatorze abertos. Os outros foram descartados, pois os supostos crimes prescreveram. Katsav também é suspeito de fraude pela aquisição de taças deprata, com dinheiro público, para presentear parentes e amigos, umdelito cuja pena é de três a cinco anos de prisão. O presidente, que nega categoricamente as acusações, recebeu chorando o comunicado de Mazuz apresentado a ele na terça-feira por seus advogados, Zion Amir e David Libai. Os advogados acreditam que Mazuz, procurador e assessor jurídico do Poder Executivo, mudará de opinião durante uma audiência comKatsav. Entretanto, cresce na Knesset (Parlamento) o número dedeputados decididos a destituir o presidente. Para isso, é preciso o voto de dois terços - 90 dos 120 - deputados israelenses. Fontes do escritório do procurador-geral e defensor do Estado dedireito acreditam que Katsav pode anunciar ainda nesta terça-feira seuafastamento temporário da Presidência até saber se Mazuz decidiráprocessá-lo ou não. Se ele decidir se afastar, as funções da Presidência serãoassumidas pela primeira vez por uma mulher a presidente do Knesset, Dalia Itzik, uma advogada de 56 anos. Itzik é uma dos cinco candidatas a substituir Katsav se esterenunciar ou for destituído.

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