Presidente de Portugal descarta antecipar eleições

O presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, manifestou neste domingo seu apoio à coalizão de governo e descartou convocar eleições imediatas, dando fim a semanas de incertezas políticas que ameaçaram o programa de resgate de 78 bilhões de euros (US$ 102,5 bilhões) de Portugal.

STEFÂNIA AKEL, Agência Estado

21 de julho de 2013 | 17h49

Silva foi forçado a escolher entre manter o atual governo e convocar novas eleições após os três principais partidos do país não concordarem com o pacto proposto pelo presidente que visava a estabilidade política de longo prazo.

"Já que o pacto não foi alcançado, acredito que a melhor alternativa é que o atual governo permaneça no poder até o fim do seu mandato", disse Silva, em um discurso televisionado.

A princípio, Silva deve fornecer alívio aos investidores por não ter convocado novas eleições, mas a crise política de Portugal destacou a fragilidade dos governos que impõem medidas severas de austeridade. Analistas políticos afirmam que não há garantias de que o enfraquecido primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, sobreviva até o fim de seu mandato, em 2015, principalmente com um plano orçamentário para o ano que vem que inclui 4,7 bilhões de euros em cortes de gastos.

A incerteza, que elevou o custo da dívida portuguesa nas últimas semanas, pode atingir ainda mais a confiança do mercado. Se Portugal não puder depender dos investidores para comprarem sua dívida quando o seu resgate terminar em junho de 2014, o país precisará de mais dinheiro dos credores internacionais.

Crise

O governo português tem assistido a queda do apoio ao seu plano de austeridade nos últimos meses após dois anos de relativa calma. Este mês, dois ministros renunciaram em meio à crescente pressão para aliviar o programa, que tem sido responsabilizado pela recessão de três anos do país e pelo desemprego, que já ultrapassa 17%.

A renúncia do ministro de Relações Exteriores, Paulo Portas, que também lidera o partido júnior da coalizão do governo, destacou a possibilidade de ruptura da coalizão.

Na sexta-feira, o Partido Socialista, de oposição, recusou-se a entrar em acordo e assinar o pacto proposto pelo presidente do país. Os pontos de desacordo entre os socialistas e a coalizão de governo incluem o plano de cortes de gastos de 4,7 bilhões de euros, por meio de demissões e mudanças em pensões. Os socialistas queriam que essa medida fosse eliminada.

"Esse processo mostrou que enfrentamos diferentes visões para o nosso país: manter a direção em que estamos ou fornecer um novo caminho a Portugal e àqueles que pensam, como nós, que os portugueses não podem realizar mais sacrifícios e que isto não está apresentando os resultados esperados", disse o líder dos socialistas, Antônio José Seguro.

Segundo diversas pesquisas, se novas eleições fossem realizadas hoje, os socialistas seriam vitoriosos, mas não conquistariam maioria no Parlamento.

Os dois partidos da coalizão de governo prometeram manter o programa de resgate do país nos trilhos. Juntos, eles têm maioria no Parlamento e, na semana passada, derrotaram com facilidade uma moção de censura ao governo. Fonte: Dow Jones Newswires.

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