Presidente de Timor Leste é baleado em ataque rebelde

O presidente de Timor Leste, JoséRamos-Horta, foi gravemente ferido ao ser baleado nasegunda-feira dentro de sua casa em Dili por soldados rebeldes.O primeiro-ministro do país, Xanana Gusmão, escapou ileso deoutro atentado e analistas prevêem uma nova fase de violência einstabilidade na pequena ex-colônia portuguesa no SudesteAsiático. A Austrália prometeu enviar mais soldados ao país,independente desde 2002. Moradores disseram que a capital, Dili, está aparentementetranqüila. Segundo Gusmão, Ramos-Horta está em condiçãoestável. O líder rebelde Alfredo Reinaldo foi morto durante oataque. O presidente, que dividiu o Prêmio Nobel da Paz de 1996 como bispo Carlos Belo, é um dos maiores símbolos da lutanão-violenta dos timorenses contra a ocupação indonésia quedurou mais de 20 anos. Ramos-Horta foi operado por médicosmilitares australianos em Dili e transferido em seguida para umhospital em Darwin, no norte da Austrália. "Esta é uma séria tentativa [de golpe] contra um Estadodemocrático", disse Gusmão em entrevista coletiva. Ele anunciouposteriormente que pediu a Vicente Guterres, vice-presidente doParlamento e presidente interino do país, que imponha um toquede recolher noturno na capital. Uma fonte médica australiana disse que Ramos-Horta chegou aDarwin respirando por aparelhos e em coma induzido e que aindadeveria ser submetido a duas cirurgias. "Ele tem ferimentos no abdome e na parte de baixo do peito.São ferimentos muito graves, particularmente a lesão no peito éextremamente séria", disse à Reuters Len Notaras, gerente-geraldo Real Hospital de Darwin. "Ele teve vasos sanguíneos danificados no peito, eles foramreparados em Timor, e vamos reparar e limpar mais", disse odiretor, acrescentando que será necessária uma grande cirurgiatambém no pulmão direito. "As próximas 24 a 48 horas vão nos dizer seu progresso.Estamos otimistas de que as boas habilidades cirúrgicas daquisignificarão que ele terá uma boa chance de recuperação", disseNotaras. Timor Leste vive sob instabilidade desde a independência,sob supervisão da Organização das Nações Unidas. A tensãocresceu neste mês, quando rebeldes ligados a Reinado dispararamcontra soldados australianos que patrulhavam Dili. "O primeiro-ministro Xanana vai ter de se empenhar muitopara garantir que o governo mantenha a coesão. É uma criseagora", disse Damien Kingsbury, professor-associado daUniversidade Deakin, na Austrália. REFORÇOS MILITARES A Austrália prometeu enviar imediatamente 200 soldados e 50a 70 policiais a Timor. A Nova Zelândia, que também mantém umcontingente em Timor, colocou mais forças em prontidão. As forças internacionais reforçaram a vigilância em prédiosimportantes de Dili e ampliaram as patrulhas na capital e nointerior. Em 2006, o Exército de Timor se dividiu entre facçõesregionais. Há dois anos, 37 pessoas morreram e 150 mil fugiramde suas casas por causa de confrontos entre grupos rivais, oque obrigou à intervenção das tropas estrangeiras. Reinado já havia liderado uma revolta contra o governo efoi indiciado por homicídios relativos aos distúrbios de 2006. Um repórter da Reuters viu os corpos dos dois agressoresmortos e identificou um deles como sendo Reinado. Um soldadotimorense também ficou gravemente ferido, segundo um porta-vozmilitar. Os militares disseram que os agressores chegaram em doiscarros à casa de Ramos-Horta, que fica numa parte isolada dacidade. Em seguida, a comitiva de Gusmão foi atacada. Os carroschegaram a ser atingidos, mas ninguém se feriu nesse segundoincidente. Alan Dupont, analista de segurança do Instituto Lowy, deSydney, disse que os incidentes vão "desestabilizar ainda maisTimor Leste, num momento em que eles buscam se recuperar dosproblemas dos últimos 12 a 18 meses." Esse país católico, que tem o português como uma daslínguas oficiais, é um dos mais pobres da Ásia, mas temreservas potencialmente lucrativas de gás e petróleo. (Reportagem adicional de Adhityani Arga e Muklis Ali emJacarta, Rob Taylor em Canberra e Michael Perry em Sydney)

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