Presidente defende ação que espionou também alemães

Obama reitera em Berlim que programa da Agência de Segurança Nacional foi 'crucial' para evitar ataques terroristas

RENATA MIRANDA , ESPECIAL PARA O ESTADO / BERLIM, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2013 | 02h05

Durante sua visita a Berlim, o presidente americano, Barack Obama, defendeu-se das críticas que recebeu sobre o escândalo que envolve a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) e justificou o programa de vigilância de telefonemas e da internet, qualificando-o de "crucial" para a guerra ao terror.

Obama ressaltou que os Estados Unidos monitoram apenas telefonemas que estão ligados de alguma maneira a supostas atividades terroristas e afirmou que toda a vigilância é feita com a autorização de mandados judiciais.

"Temos de atingir um equilíbrio e temos de ser cautelosos sobre como os governos estão agindo quando se trata de inteligência", disse o presidente durante uma entrevista coletiva conjunta com a chanceler alemã, Angela Merkel.

"Esta não é uma situação na qual estamos vasculhando e-mails de cidadãos comuns alemães, americanos ou franceses", completou Obama.

Merkel disse que o monitoramento que o governo faz das comunicações via internet precisa ser realizado dentro de "limites adequados".

"Apesar de enxergarmos a necessidade de coletar informações, o tópico da proporcionalidade é sempre um tema importante e a ordem democrática livre tem como base o sentimento de segurança das pessoas", afirmou a chanceler, ao lado de Obama.

O presidente americano ainda disse que "pelo menos 50 ameaças" de ataque foram neutralizadas em razão do programa, tanto nos Estados Unidos como também na Alemanha.

A questão do monitoramento de ligações é um tema sensível para os alemães, que, durante anos tiveram a privacidade invadida pela Stasi, a temível polícia secreta da antiga Alemanha Oriental.

Laços bilaterais. Obama fez questão de ressaltar, tanto na entrevista coletiva como em seu discurso diante do Portão de Brandenburgo, a importância das relações entre os Estados Unidos e Alemanha.

"Essa visita serviu para reafirmar a Alemanha e a Europa como importantes parceiros dos Estados Unidos, apesar do foco que o governo de Obama dá à Ásia", explicou Sudha David-Wilp, especialista do German Marshall Fund, em Berlim.

"As relações entre Washington e Berlim não são tão boas como eram antes", disse o cientista político Thomas Greven, da Freie Universität, também na capital alemã. "No entanto, os laços ainda são bons o bastante para suportar tensões causadas pela crise financeira e pelo escândalo do programa de espionagem", acrescentou o especialista.

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