Presidente defende eleições no Sudão enquanto oposição insiste em boicote

Presidente defende eleições no Sudão enquanto oposição insiste em boicote

Para oposição, pleito tem objetivo de proteger al-Bashir de ordem de prisão emitida pelo Tribunal Penal Internacional

09 de abril de 2010 | 18h11

Efe

 

CARTUM- Parte da oposição no Sudão acusou nesta sexta-feira, 9, o partido governante de querer utilizar as eleições para proteger o presidente Omar al-Bashir do Tribunal Penal Internacional (TPI), enquanto o mandatário insistiu em defender o processo eleitoral.

 

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"São eleições para proteger al-Bashir do TPI, que não têm nada a ver com o processo democrático", disse, em entrevista coletiva em Cartum, Yasir Armam, candidato à presidência pelo Movimento Popular de Libertação do Sudão (MPLS), até que seu grupo decidiu boicotar a votação.

 

O TPI, com sede em Haia, ordenou no dia 4 de março do ano passado a detenção de al-Bashir, acusado de crimes de guerra e contra a humanidade por seu papel na guerra de Darfur, que explodiu em fevereiro de 2003 e já causou 300 mil mortes.

 

Vários partidos da oposição, entre eles o MPLS, que governa a região autônoma do sul do país, e o Al Umma, principal força da oposição, anunciaram que boicotarão totalmente ou parcialmente as eleições de 11, 12 e 13 de abril, por considerarem que não há garantias de uma votação transparente.

 

Também hoje, último dia da campanha eleitoral no país, al-Bashir deu uma entrevista ao vivo ao canal de televisão Al-Shuruq, situado no emirado de Dubai, mas de capital sudanês.

 

 

Na entrevista,al-Bashir repassou as conquistas obtidas em seus 21 anos no poder, elogiou o processo democrático e criticou os observadores internacionais por "intervirem" nos assuntos do país.

 

O líder destacou a necessidade de uma "mudança democrática" para sair do ciclo de golpes de Estado e ditaduras do passado.

 

Al-Bashir, que chegou ao poder por meio de um golpe de Estado, defendeu a Comissão Eleitoral, muito criticada pelos partidos opositores, assegurando que "todas as forças políticas participaram de maneira real na eleição da comissão".

 

Por outra parte, al-Bashir criticou "a interferência direta" de muitos observadores de países europeus, que não especificou, e sua "tentativa de influenciar no processo eleitoral em favor de alguma determinada força", que não detalhou.

 

Sobre a retirada dos partidos do processo, especialmente a do Al Umma, al-Bashir assegurou que um grupo político não pode impor ao governo e à Comissão Eleitoral todas as suas exigências e que devia dar-se por satisfeito por obter 80% ou 90% delas.

 

O Al Umma anunciou na quinta sua retirada das eleições, após assegurar que o regime não tinha atendido duas das oito exigências que tinha apresentado, a mais importante delas o atraso da data das eleições.

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