Presidente deixa Iêmen e vai para os EUA

Ditador iemenita passará por Omã e seguirá para Nova York, onde será submetido a tratamento médico de urgência

SANAA, / NYT, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2012 | 03h06

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, deixou ontem o país e segui para Omã, de onde partirá para Nova York para se submeter a tratamento médico, informaram as autoridades iemenitas. O Departamento de Estado dos EUA confirmou ontem que autorizou a viagem, ressaltando que será apenas por "um período limitado de tempo".

O comunicado do governo americano afirma que "o único propósito da viagem é o tratamento médico" do líder iemenita. A chegada de Saleh aos Estados Unidos está prevista para quarta-feira, de acordo com um funcionário de alto escalão próximo ao presidente do Iêmen.

O funcionário, que não quis se identificar, disse que Saleh relutava em viajar, mas precisa urgentemente de tratamento no exterior em razão dos ferimentos sofridos durante um ataque a bomba contra a mesquita do palácio presidencial, em junho.

Saleh, que enfrentou um ano de protestos e de pressões internacionais para que deixasse a presidência do país, que ocupa há 33 anos, fez declarações contraditórias sobre a possibilidade de deixar o Iêmen e de renunciar ao cargo. Em dezembro, ele afirmou que viajaria para os EUA, mas, duas semanas mais tarde, ele mesmo desmentiu a informação.

No fim de semana, boatos diziam que Saleh pretendia mudar-se para Omã, mas em discurso na televisão, ele afirmou ontem que voltará ao Iêmen quando o tratamento terminar. Saleh também pediu ao país "perdão por qualquer falha que tenha ocorrido" durante seu mandato.

Em novembro, Saleh concordou em deixar o poder em troca de imunidade, em um acordo intermediado pelos países do Golfo. Antes, o presidente já havia prometido deixar o poder diversas vezes, sempre voltando atrás no último momento.

Centenas de pessoas foram mortas no ano passado em ataques realizados pelas forças de segurança e por milícias favoráveis ao governo. Manifestantes e grupos de defesa dos direitos humanos, agora, exigem que ele seja processado por essas mortes.

No sábado, o Parlamento iemenita aprovou uma lei que concede imunidade ao presidente e também a todos os seus subordinados que cometeram crimes de natureza política. Os parlamentares aprovaram também o nome do vice-presidente Abdel Rabbo Mansour Hadi como o candidato de consenso nas eleições presidenciais marcadas para 21 de fevereiro.

Transição. Saleh transferiu algumas de suas atribuições a Hadi depois de assinar o acordo em novembro, mas continuou detendo todo o poder no Iêmen. Ele deve deixar oficialmente a presidência apenas depois das eleições.

O iemenita será o quarto ditador a deixar o poder em razão dos protestos da Primavera Árabe. Antes dele, caíram Zine al-Abidine Ben Ali, na Tunísia, Hosni Mubarak, no Egito, e Muamar Kadafi, na Líbia. Bashar Assad, na Síria, ainda resiste à pressão da oposição.

Em seu discurso de domingo, Saleh fez um apelo à reconciliação nacional e insistiu para que os iemenitas se unam na reconstrução do país. Falando diretamente aos manifestantes que realizam protestos pacíficos há quase um ano, ele pediu que todos voltassem para as suas famílias. "Peço desculpas a vocês e os convido a retornarem a suas casas e a começarem uma nova página com uma nova liderança". e REUTERS

Logo após o atentado a bomba contra a mesquita do palácio presidencial em Sana, em junho, Ali Abdullah Saleh deixou o Iêmen pela primeira vez após o início dos protestos. O presidente foi levado às pressas para um tratamento na Arábia Saudita.

Antes de sair, o ditador fez apenas um discurso transmitido pelo rádio, acusando o seu rival político Sadeq Ahmar, cuja tribo liderou ataques contra alvos oficiais. O atentado contra o complexo presidencial deixou 11 mortos.

Saleh sofreu queimaduras de segundo grau no rosto e no peito, estilhaços perto do coração e perfurações nos pulmões. As dúvidas sobre se ele voltaria ou não da Arábia Saudita após o tratamento acabaram em setembro, quando o ditador desembarcou na capital iemenita pedindo diálogo para resolver a crise interna.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.