Arquivo/AP
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Presidente deposto da Ucrânia critica anexação da Crimeia à Rússia

Yanukovich responsabilizou novo governo de Kiev pela 'tragédia' e disse que tentará conversar com Putin

O Estado de S. Paulo,

02 de abril de 2014 | 11h52

MOSCOU - O presidente deposto da Ucrânia, Viktor Yanukovich, disse nesta quarta-feira, 2, que a anexação da Crimeia pela Rússia foi uma "tragédia" e disse ter "se equivocado" ao pedir que Moscou enviasse tropas à península.

Yanukovich responsabilizou o novo governo em Kiev pela anexação. "Se isso (anexação) tivesse acontecido comigo (no poder), eu teria tentado evitar. Como posso me sentir, como presidente do país, quando o país se desintegra? Foi sua postura radical (do novo governo) em relação à língua russa". A Crimeia foi anexada em março, após maioria da população aprovar, em referendo, fazer parte da Rússia.

O presidente deposto disse, em entrevista ao canal russo NTV, que "se equivocou" ao pedir que Moscou enviasse tropas à península e afirmou ter esperança de conversar com o presidente russo, Vladimir Putin, e convencê-lo de devolver a Crimeia à Ucrânia.

Yanukovich advertiu ainda sobre o perigo de desintegração da Ucrânia caso as eleições presidenciais de 25 de maio ocorram sem a convocação prévia de um referendo constitucional. "Essa é a via para a desestabilização da situação no país e qualquer desestabilização nessas condições representa uma grande ameaça de cisão na sociedade e até, possivelmente, de divisão do Estado."

Exilado na Rússia desde sua deposição em 22 de fevereiro, Yanukovich assegurou que a única forma de acabar com as atuais contradições é realizar um referendo para ceder mais poderes às regiões do país.

Milhares de pessoas se manifestaram no fim de semana nas principais cidades do leste e do sul do país para exigir a realização de referendo e expressaram seu desejo de criar uma autonomia entre as regiões de fala russa.

Yanukovich negou ter dados ordens para suas forças atirarem contra manifestantes em Kiev, onde cerca de 80 pessoas foram mortas por atiradores em protestos antigoverno em fevereiro, e culpou os grupos radicais que controlavam o Maidan de descumprir os acordos assinados em 21 de fevereiro, na presença de mediadores europeus e russos, para a criação de um governo de união nacional e piorarem a crise ucraniana. "Em resposta a nossas ações, a parte radical do Maidan respondeu com disparos."

O presidente deposto também reconheceu que as autoridades precisavam ter reagido antes e com maior firmeza diante da ascensão do ultranacionalismo e do vandalismo, "que tem raízes fascistas". "Os radicais armados não escutam ninguém, nem ao poder nem à oposição."/ EFE e AP

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