Presidente deposto do Quirguistão é acusado de assassinado

Bakiyev e outros membros de seu governo seriam os responsáveis pelas mortes de manifestantes

27 de abril de 2010 | 11h05

MOSCOU - As novas autoridades do Quirguistão acusaram do ex-presidente do país de assassinato em massa pelo seu papel durante as mortes de manifestantes opositores no começo de abril, disse um oficial do governo provisório nesta terça-feira, de acordo com o jornal New York Times.

 

A polícia e guardas da presidência abriram fogo contra milhares de manifestantes no dia 7 de abril, matando pelo menos 85 pessoas. Eles não conseguiram, contudo, parar os manifestantes, que pegaram em armas e destituíram o governo.

 

Kurmanbek Bakiyev, o presidente deposto, foi forçado a fugir do país, e se encontra atualmente na Bielo-Rússia, onde o presidente, Aleksandr Lukashenko, garantiu sua segurança.

 

O governo interino tem tentado retomar a ordem na nação da Ásia Central, que abriga uma base aérea americana que serve de ponto de apoio para tropas e equipamentos da OTAN em missão no Afeganistão.

 

O novo governo fez da perseguição a Bakiyev uma prioridade, e prometeu procurar uma maneira de pedir sua extradição da Bielo-Rússia.

 

"Acusações foram apresentadas contra Bakiyev por excesso de autoridade e por assassinato em massa de cidadãos pacíficos", disse Azimbek Beknazarov, um dos representantes do governo provisório, em uma conferência de imprensa na capital quiguis, Bishkek.

 

Bakiyev disse que seus guardas abriram fogo apenas depois que manifestantes começaram a atirar contra seu escritório na sede do governo em Bishkek. Dezenas de oficias da polícia também ficaram feridos.

 

O novo governo quirguis disse que apresentará acusações contra outros membros do governo de Bakiyev, incluindo alguns membros da família do presidente deposto.

 

A Rússia, que ofereceu seu apoio ao novo governo do Quirguistão, já extraditou o ex-ministro do Interior de Bakiyev, que estava se recuperando em Moscou após ser seriamente atacado por manifestantes mais cedo neste mês. Na segunda, o governo provisório disse que o ex-ministro também seria acusado pelas mortes dos manifestantes.

 

Autoridades na Bielo-Rússia não deram sinal de que possuem a intenção de mandar Bakiyev de volta para o Quirguistão. Desde que chegou no país na semana passada, Bakiyev tem aparecido com Lukashenko em conferências de imprensa, nas quais ele desafiou a autoridade do novo governo em Bishkek e reiterou que ele continua a ser presidente apesar de ter anunciado sua renúncia em uma carta ao novo governo.

 

"Nove meses atrás, o povo do Quirguistão me elegeu presidente e eu jurei servi-los", disse Bakiyev em uma conferência de imprensa no final de semana. "Não há forças que possam me obrigar a não cumprir com meus juramentos".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.