Presidente deposto evita sair de casa, em reduto da classe média

Repórteres fazem plantão diante da residência de Lugo, em Lambaré, onde opiniões se dividem sobre ex-bispo

LAMBARÉ, PARAGUAI, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2012 | 03h02

Desde que partiu às pressas da residência oficial, o presidente deposto do Paraguai, Fernando Lugo, praticamente não sai de sua casa particular, situada em uma rua de pedra e terra batida de Lambaré, cidade-satélite de Assunção. Tarde da noite no sábado, o ex-bispo apareceu em um ato de 200 pessoas na sede da TV pública. Ontem, falou a jornalistas que disputavam a calçada de sua casa.

Apesar de abrigar um presidente deposto há dois dias em um duvidoso processo de impeachment, Lambaré continuava sendo um silencioso reduto da classe média paraguaia, entre casas e pequenos comércios. Fora as equipes de repórteres, três partidários de Lugo e três policiais aguardavam na rua.

Moradores de Lambaré se dividem sobre a deposição de seu mais famoso vizinho, que vive ao lado de um galpão convertido em academia de ginástica - a Musculomania, que, segundo vizinhos fofoqueiros, ele nunca frequentou.

Dono do armazém que Lugo frequentava, Antonio Aranda diz que "foi totalmente legal e ele (o ex-presidente) estava acabando com o Paraguai".

Aranda culpa o ex-bispo pelo aumento da criminalidade, que o obrigou a instalar grades na mercearia.

Outra opinião tem Laura Caballero, de 39 anos, que chama de "golpe covarde" a decisão de sexta-feira dos congressistas paraguaios. Ela mora a uma rua de distância do presidente deposto e sua sogra, a duas casas. As duas filhas de Laura frequentam uma escola pública de Lambaré e ela diz que "tudo mudou para muito melhor" desde que Lugo assumiu, em 2008. "Agora as meninas têm uma merenda decente e nós temos muito mais acesso a remédios grátis, o que nunca houve no Paraguai." / R. S.

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