Aldair Mejia/AFP
Aldair Mejia/AFP

Presidente deposto questiona legitimidade de governo no Peru

Vizcarra pede que população proteste contra destituição e exige manifestação do Tribunal Constitucional 

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2020 | 23h42

PERU - Três dias após ser destituído em um julgamento político, o ex-presidente peruano Martín Vizcarra questionou nesta quinta-feira, 12, a legitimidade do novo governo de Manuel Merino e pediu à população que proteste pacificamente nas ruas. 

“A legalidade está em questão e a legitimidade, que é dada pelo povo, estamos vendo nas ruas com as manifestações contra Merino”, disse Vizcarra ao entrar no Ministério Público para depor sobre o processo de corrupção que o destituiu. 

Na noite de segunda-feira, o Congresso destitui Vizcarra por “incapacidade moral” no segundo julgamento político contra ele em menos de dois meses, após denúncias de que ele havia recebido propina para autorizar obras públicas quando era governador da região sul de Moquegua, em 2014, acusações que ele nega. “Até a OEA solicitou o pronunciamento do Tribunal Constitucional sobre a legalidade da destituição”, destacou o ex-presidente.

Merino, opositor que liderava o Congresso, pediu calma hoje. “Não vamos fazer nenhuma mudança traumática”, prometeu, após seus novos ministros, de maioria conservadora, prestarem juramento, e afirmou que manterá “as boas decisões” do governo anterior.

Vizcarra, que conta com níveis recorde de apoio da população, defendeu o direito dos peruanos de protestar contra Merino, o que ocorre diariamente desde a terça-feira. “Temos de fazer um apelo à população para que se expresse pacificamente. As manifestações têm de ser permitidas”, disse. 

“A resposta está sendo dada pelas pessoas ao senhor Merino”, acrescentou. “Também pedimos à Polícia Nacional que respeite as manifestações”, disse Vizcarra, afirmando que, com o novo governo, tem visto uma “polícia mais agressiva”. 

Vizcarra compareceu ao Ministério Público para prestar depoimento sobre as denúncias de ter recebido suborno, estimado em US$ 600 mil, segundo a denúncia. Um tribunal decidirá amanhã sobre o pedido do MP de proibir Vizcarra de deixar o país por 18 meses, enquanto as investigações avançam. / AFP

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