Presidente desce do pedestal e faz mea-culpa

No 11 de setembro, o presidente George W. Bush soube do desastre quando lia The Pet Goat ("O Bode de Estimação") para alunos de primeiro grau. Semana passada, o presidente Barack Obama escapou do desastre lendo The Moon Over Star ("A Lua Sobre Estrela") para alunos de primeiro grau. Enquanto ele contava às crianças que seus super-heróis favoritos eram Batman e Homem Aranha, seu sonho de ser o super-herói que chega voando para salvar os EUA se esborrachava. Diferentemente de Bush, que se recusou a reconhecer seus erros, Obama convocou uma fila de pesos pesados do jornalismo para o Salão Oval para fazer penitência. "Eu errei", confessou a Katie Couric, da rede NBC. Ele contou a todos que o homem que o ajudou a ser presidente, Tom Daschle, havia cometido "um sério erro" ao não pagar seus impostos. Obama admitiu que "é importante que seu governo envie uma mensagem de que não há dois tipos de regras: um para pessoas importantes, outro para cidadãos comuns, que pagam seus impostos.Foi preciso a renúncia de Daschle para tirar o presidente do pedestal, para que ele mudasse a atitude arrogante de que seu círculo encantado não precisa se pautar pelos altos padrões que ele pregou para o resto de nós por cerca de dois anos.PACOTE DE ESTÍMULOAntes de ele se retratar, forçado por uma cascata de nomes dos que "se esqueceram" de pagar impostos, seu raciocínio estava chegando perigosamente perto daquele dos republicanos que ele denunciou na campanha. Os erros de Obama sobre precipitado pacote de estímulo também foram só dele. O presidente deveria ter largado aqueles livros de Lincoln e alugado o filme Dave. Quando Kevin Kline se torna um presidente acidental, ele convoca seu contador pessoal, Murray Bloom, para a Casa Branca para cortar milhões de programas idiotas do orçamento federal e sobrar mais dinheiro para os sem-teto. "Quem faz esses livros?" pergunta Bloom com desgosto, riscando com lápis vermelho uma campanha publicitária para aumentar a confiança dos consumidores em carros que eles já haviam comprado. "Se eu administrasse meu escritório assim, já estaria fora do negócio."Obama deveria ter levado um lápis vermelho para a lei de estímulo de US$ 819 bilhões e cortado todas as provisões que pareciam caricaturas de gastos indiscriminados dos democratas. O presidente estava especialmente preocupado com a exigência de que o aço e o ferro para obras de infraestrutura fossem americanos, mas em entrevista à Fox ele concordou que "não podemos enviar uma mensagem protecionista." Obama reclamou, em outra entrevista, que os programas denunciados como "perdulários" pelos republicanos representam menos de 1% do pacote. Mais uma razão para cortá-los e criar uma lei enxuta, apropriada para a criação de empregos. O presidente vem gastando tanto tempo tentando - e fracassando - em convencer os republicanos que não notou a desilusão em suas próprias fileiras. ZOMBARIATraído por seus banqueiros e líderes, os americanos estavam desesperados para confiar em alguém quando o elegeram presidente. Sua estreia, porém, os deixa céticos sobre sua disposição de combater aqueles que desperdiçam nosso dinheiro. As empresas que foram salvas continuam zombando dos contribuintes. Até o fato vir à tona, na terça-feira, o Wells Fargo, que recebeu US$ 25 bilhões de recursos federais, estava planejando uma série de "saídas de reconhecimento de empregados" a hotéis de luxo de Las Vegas neste mês. Como noticiou a rede ABC, o Bank of America pegou seus US$ 45 bilhões em recursos do governo e patrocinou um carnaval de cinco dias do lado de fora do estádio durante o Super Bowl. O Morgan Stanley tomou seus US$ 10 bilhões em dinheiro público e realizou uma conferência de três dias no Breakers, em Palm Beach - o banco também planejava enviar altos funcionários a Monte Carlo e às Bahamas, mas desistiu.O jornal New York Post revelou que Sandy Weill, ex-presidente executivo do Citigroup, pegou um jato da companhia para voar com a família para um hotel de luxo em San Jose del Cabo. Pouco importava que a companhia tivesse acabado de receber US$ 50 bilhões do plano de resgate federal e dispensado 53 mil funcionários em todo o mundo. O interior do jato de 18 lugares tinha um bar completo, carta de vinhos finos, tapetes de US$ 13 mil, taças de cristal Baccarat, serviço de prata Cristofle e almofadas feitas com lençóis Hermès. Aux barricades! * Maureen Dowd é colunista

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.