Presidente diz que não há mais cólera no Zimbábue

ONU eleva o número de mortos para 783 e de contaminados para 16.403 pela epidemia da doença no país

Agências internacionais,

11 de dezembro de 2008 | 09h24

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, afirmou nesta quinta-feira, 11, que seu governo acabou com a epidemia de cólera que atinge o país em plena crise política e econômica. A afirmação foi feita no mesmo dia em que a ONU elevou para 783 o número de mortos e para 16.403 o de contaminados no que é considerado o maior surto da doença no país. Antes um dos mais prósperos países africanos, o Zimbábue tem uma hiperinflação de quase 1 trilhão por cento ao ano e seu Estado é incapaz de fornecer serviços básicos. O surto de cólera é visto como mais uma prova da incapacidade do Estado em exercer suas funções essenciais. O impasse político persiste, funcionários públicos estão com salários atrasados e a oferta de alimentos vem minguando. Acredita-se que a epidemia de cólera iniciada em agosto se alastrou por causa da precariedade do sistema de saúde e da infra-estrutura de saneamento básico no país africano. Agências humanitárias têm advertido que a previsão de mais chuvas para a região ameaça disseminar ainda mais o cólera por uma população já enfraquecida pela doença e pela fome. "Estou feliz em ser auxiliado por outros e nós contivemos a cólera", afirmou Mugabe em discurso. Segundo a BBC, o presidente ainda acusou o Ocidente de planejar usar a doença como desculpa para invadir o país e derrubá-lo do poder. "A causa da cólera não existe mais". Em discurso televisionado, Mugabe afirmou que a ex-metrópole do país africano, o Reino Unido, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o presidente dos EUA, George W. Bush, pediram sua saída. "Por conta da cólera, (Gordon) Brown, Sarkozy e Bush querem invervir militarmente", "agora que não há cólera, não há motivo para a guerra". Afirmou. Mugabe comanda o país desde 1980. Houve um acordo para a divisão do poder no país em setembro. Porém Mugabe e o líder oposicionista, Morgan Tsvangirai, não chegam a uma fórmula para dividir os postos do gabinete, mantendo o impasse político.

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