Presidente do Afeganistão oferece diálogo com o Taleban

Após o ano mais sangrento desde a invasão do Afeganistão pelos EUA, em 2001, o presidente, Hamid Karzai, ofereceu nesta segunda-feira abrir conversações com o grupo insurgente Taleban numa tentativa de estabelecer a paz no país. Mais de 4 mil pessoas, incluindo aproximadamente 170 soldados estrangeiros, morreram lutando em 2006 no país, ano em que foi verificado um aumento dramático nos ataques suicidas do Taleban e de outras milícias insurgentes que copiaram táticas utilizadas no Iraque.Karzai fez a oferta durante um pronunciamento religioso em Cabul nesta segunda-feira, dia considerado sagrado no calendário islâmico xiita. O presidente não citou o nome do Taleban, mas fez referências à palavra "inimigo".?Emboras estejamos lutando por nossa honra, as portas estão abertas para conversas e negociações com nosso inimigo, que busca nossa aniquilação e o derramamento de nosso sangue?, disse Karzai a uma multidão no principal reduto religioso xiita da capital.O líder afegão disse ainda que irá rezar pela ?orientação? daqueles que traçaram um caminho contrário ao do Afeganistão, numa referência indireta ao vizinho Paquistão, onde o Taleban e outros grupos aliados islâmicos têm santuários.Há dois anos, Karzai ofereceu anistia aos membros do Taleban considerados moderados. Contudo, nesta segunda-feira, ele não fez nenhuma distinção entre seguidores do grupo. Nenhum comandante ou alto oficial do grupo extremista se entregou até hoje, enquanto líderes ridicularizam as ofertas de paz, que consideram sinal de fraqueza.Militantes do Taleban juraram expulsar tropas estrangeiras do Afeganistão - onde os EUA e a OTAN mantêm cerca de 32 mil soldados - e derrubar Karzai do governo. Os insurgentes e seus aliados islâmicos são mais ativos no sul e no leste do país, perto da fronteira com o Paquistão.

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