Presidente do Banco Central do Afeganistão foge do país

Abdul Qadir Fitrat teme por sua segurança após investigar desvio de dinheiro de banco comercial

AE, Agência Estado

28 de junho de 2011 | 10h13

CABUL - O presidente do Banco Central do Afeganistão, Abdul Qadir Fitrat, viajou para os Estados Unidos e não deve retornar ao país, devido a receios sobre a sua segurança. No ano passado, ele abriu uma investigação sobre o Kabul Bank, o maior banco comercial afegão, que quase faliu, em meio a acusações de que seus donos usaram a instituição em benefício próprio e de políticos aliados.

Fitrat deixou o Afeganistão há cerca de dez dias. Ele disse que sua vida estava em perigo e que o governo do presidente Hamid Karzai estava se recusando a processar os envolvidos no esquema de empréstimos fraudulentos. "Desde que eu divulguei essas práticas fraudulentas, no dia 27 de abril, no Parlamento, eu recebi informações sobre ameaças à minha vida", comentou.

Hoje, um porta-voz do governo afegão disse que o presidente do Banco Central não estava em perigo. Segundo o funcionário, Fitrat é apenas um "fugitivo". "Ele na verdade nunca falou a ninguém no governo que sua vida estava em perigo", afirmou Waheed Omer, em entrevista à France Presse. "Isto é basicamente uma fuga, não uma demissão. Os procedimentos formais não foram realizados. Ele está na lista dos responsáveis pelas irregularidades no Kabul Bank", acrescentou.

O irmão do presidente afegão, Mahmoud Karzai, possuía uma participação no Kabul Bank, assim como o irmão do primeiro-vice-presidente do país, antes do banco ser colocado em liquidação. Os dois negam qualquer irregularidade. As informações são da Dow Jones.

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