Presidente do Banco Mundial quer reforma da instituição

Robert Zoellick declara apoio à proposta do Brasil de aumentar poder dos países emergentes

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

06 de julho de 2009 | 10h45

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, afirma que irá endossar as propostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outros países emergentes para reformar a instituição que ele comanda. Em declarações ao jornal O Estado de S. Paulo, Zoellick diz que vai trabalhar para garantir uma mudança nos votos dentro da instituição e um novo equilíbrio de poderes entre países ricos e emergentes.

 

"Apoio a ideia do presidente Lula", afirmou Zoellick, que no governo de George W. Bush ocupou um cargo equivalente a ministro do comércio. O norte-americano era conhecido entre os demais ministros de comércio por não gostar de reuniões nas quais participavam muitos países. Em uma reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) no Egito em 2003, ele chegou a pedir para que os países pobres não fizessem discursos longos e se irritou diante do número de convidados.

 

Agora, está sendo obrigado a mudar o tom de suas declarações. A reforma das instituições multilaterais está no centro dos debates e fará parte das reuniões nesta semana entre os países do G8 e os emergentes.

 

O Brasil quer que os países emergentes tenham pelo menos 50% do poder de voto dentro do Banco Mundial. Hoje, 56% dos votos no Bird estão com 29 países ricos, ao passo que os demais 156 representam apenas 44% dos votos. O Brasil tem 2,06% dos votos. O que o governo quer é que haja pelo menos uma paridade.

 

Outra insistência do Brasil é para que fique claro que a escolha dos novos presidentes seja feita independentes da nacionalidade do candidato. Nos últimos 60 anos, o cargo foi ocupado por norte-americanos.

 

"Esperamos avançar o processo para garantir que as mudanças sejam feitas até a primavera do hemisfério norte de 2010 (abril-maio do próximo ano)", afirmou Zoellick.

 

Ele admite que o processo será determinado pela vontade política dos acionistas do Banco em chegarem a um acordo sobre os novos poderes de voto de cada país. Países ricos continuam hesitando em reduzir seu poder dentro da entidade.

 

Redes de países

 

Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, estima que o mundo passará a viver em uma nova relação entre instituições e diferentes grupos de países, como o G8 ou o G20. "Não é uma questão de ter um ou outro. Hoje, o mundo é das redes, do network. E assim é que podemos imaginar uma nova configuração de países", afirmou.

 

A OCDE é conhecida como sendo o grupo de países ricos e que chegou a convidar o Brasil para fazer parte da entidade. O Itamaraty, porém, rejeitou o convite.

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