Presidente do Chile recebe relatório sobre tortura

O presidente do Chile, Ricardo Lagos, recebeu um informe dramático e detalhado sobre a prisão e a tortura de 35.000 chilenos durante a ditadura de Augusto Pinochet. O relatório foi classificado pelo governo como "um novo passo em direção ao conhecimento da verdade, à justiça e à reparação das vítimas". "Este é um passo muito importante para o Chile. Acredito que devemos nos orgulhar. Quantos países se atreveram a olhar em profundidade a sua história?" afirmou Lagos, antes de receber o volumoso informe. Posteriormente, o presidente não falou com a imprensa, mas seu porta-voz oficial, Francisco Vidal, distribuiu uma declaração sobre a importância do documento. O relatório, que será divulgado dentro de algumas semanas pelo próprio presidente, foi entregue por uma comissão de oito pessoas, entre elas um jurista da direita. A comissão foi presidida pelo bispo católico Sergio Valech. Durante quase duas horas, os integrantes da comissão, que trabalharam um ano para recolher informações sobre antecedentes e testemunhos, expuseram o informe a Lago, a quem propuseram outorgar compensações às vítimas. O governo já adiantou que as compensações serão "apenas simbólicas". Membros do Grupo de Parentes de Detidos Desaparecidos consideraram o relatório "histórico". Cerca de 50 deles se reuniram em frente à sede do governo, no palácio de La Moneda, e seguravam uma faixa com os dizeres: "Contra a tortura e a impunidade, julgamento e castigo".

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