EFE/EPA/Presidency of Paraguay
EFE/EPA/Presidency of Paraguay

Presidente do Congresso do Paraguai alerta para 'ameaça' no Brasil

Segundo o senador Blas Llano, uma eventual entrada descontrolada de pessoas do Brasil poderia desencadear um novo surto de covid-19

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2020 | 15h43

ASSUNÇÃO - Após o presidente da Argentina, Alberto Fernández, ter dito que o Brasil representava um risco "muito grande" para a América do Sul por causa do avanço da pandemia do novo coronavírus, o chefe do Congresso do Paraguai, Blas Llano, também demonstrou preocupação com a situação sanitária no país vizinho.

Em entrevista ao jornal local ABC, o senador disse que "está claro" que o Brasil é uma "ameaça" para o Paraguai. "É um país de milhões de habitantes, e foi um dos países mais relutantes em implementar medidas de contingência, e isso se nota na quantidade de infectados e, lamentavelmente, de mortes", declarou Llano, após uma reunião com o presidente do país, Mario Abdo Benítez.

Segundo o chefe do Congresso, uma eventual entrada descontrolada de pessoas do Brasil poderia desencadear um novo surto de covid-19.

Em entrevista a uma emissora argentina, o presidente Fernández já havia dito que discutira a situação brasileira com os presidentes de Chile e Uruguai.

"Falei com (Sebastián) Piñera, com Lacalle (Pou). Obviamente que é um risco muito grande. O Brasil é um país que, com exceção de dois países, faz fronteira com toda a América do Sul. Vivem entrando aqui caminhões do Brasil que vêm de São Paulo, um dos lugares mais infectados do Brasil", declarou o presidente.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil tem 125.218 casos de covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus, o que representa uma taxa de 60 contágios para cada 100 mil habitantes, enquanto a Argentina e o Paraguai, segundo a Universidade John Hopkins, têm 5.208 (12/100 mil hab.) e 440 (6/100 mil hab.), respectivamente.

Além disso, o Brasil registra 8.536 mortes (4/100 mil hab.), entanto a Argentina regista 273 (1/100 mil hab.) e o Paraguai, 10 (0,1/100 mil hab.). 

O governo conservador do Paraguai, parceiro do Brasil no Mercosul com Argentina e Uruguai, recusou-se a abrir gradativamente a fronteira com o vizinho, como queriam os comerciantes da fronteiriça Ciudad del Este. 

Benítez ordenou, ao contrário, redobrar o controle militar nas principais passagens de fronteira para evitar a entrada de doentes com covid-19 no país.  

"A velocidade de propagação do coronavírus no Brasil representa um risco muito grande a qualquer eventual abertura", reforçou o ministro de Saúde paraguaio, Julio Mazzoleni, durante entrevista coletiva. / ANSA e AFP  

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