EFE/OLIVER CONTRERAS
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Boliviano assume presidência do Conselho Permanente da OEA e cancela reunião sobre Venezuela

Diego Pary alegou precisar de mais tempo para analisar a crise de Caracas; 20 países do bloco insistirão no encontro

Cláudia Trevisan, correspondente em Washington, O Estado de S.Paulo

03 Abril 2017 | 12h56

WASHINGTON - O embaixador da Bolívia na Organização dos Estados Americanos (OEA), Diego Pary, assumiu a presidência do Conselho Permanente da entidade na manhã desta segunda-feira, 3, e cancelou a reunião na qual discutiria a situação da Venezuela poucas horas mais tarde. Entre os principais aliados do governo Nicolás Maduro na instituição, ele disse que precisava de tempo para analisar a questão.

Representantes dos 20 países que haviam solicitado o encontro protestaram contra a decisão e exigiram que Pary volte atrás. A ministra das Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, viajou a Washington para participar da reunião do Conselho Permanente, durante a qual pretendia apresentar a posição do Mercosul. No sábado 2, o bloco divulgou uma nota em que pede a imediata restauração da ordem democrática na Venezuela, no que seria o primeiro passo para a eventual expulsão do país da organização regional.

A chanceler argentina se reuniria com Pary na sede da OEA para tentar convencê-lo a convocar a sessão do Conselho Permanente. Às 16h, o boliviano terá um encontro “informal” com os demais embaixadores na organização para discutir a situação. “Caso não haja acordo para realizar a reunião, os países que pediram sua convocação buscarão um caminho procedimental para realizá-la à revelia do presidente do Conselho Permanente o mais rápido possível”, disse o embaixador do Brasil na OEA, José Luiz Machado e Costa. Existe a possibilidade de que o encontro ocorra às 20h desta segunda-feira.

A proposta de resolução que seria apresentada pelo grupo de 20 países na sessão que foi suspensa declara que houve a ruptura da ordem constitucional na Venezuela após o Tribunal Supremo de Justiça assumir as funções do Congresso - medida que foi revertida no sábado 1º. -, o que pode levar à aplicação de mecanismos regionais de defesa da democracia, entre os quais a Carta Democrática Interamericana.

O fato de que 20 dos 34 integrantes da OEA apoiaram a proposta reflete o crescente isolamento da Venezuela na organização. Até o fim de 2015, Caracas tinha a maioria dos votos na instituição e conseguiu bloquear sucessivas tentativas de discutir a situação do país. Hoje, o apoio incondicional a Nicolás Maduro vem dos países bolivarianos - Nicarágua, Bolívia, Equador e El Salvador - e de países caribenhos beneficiados pelo Petrocaribe, programa venezuelano de venda de petróleo a preços subsidiados.

Mas mesmo entre os caribenhos começa a haver deserções, como mostra a adesão da Jamaica ao grupo dos 20 países. Ainda assim, não está claro se haverá apoio na OEA para adoção medidas extremas à Venezuela. A expulsão de um membro da organização precisa ser aprovada pelo voto de dois terços dos países. 

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