Presidente do Egito afasta chefe da inteligência e ordena ofensiva no Sinai

Reação do Cairo. Medidas são reposta ao ataque de militantes islâmicos que matou 16 guardas egípcios na fronteira com Israel no domingo; Mohamed Morsi troca ainda comandante da polícia nacional e governador, em sinal de cooperação com militares

CAIRO, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2012 | 07h40

Após dois dias de silêncio, o Egito lançou ontem um bombardeio aéreo contra alvos de militantes islâmicos suspeitos de matar 16 guardas de fronteira na Península do Sinai, no domingo. O caso levou o presidente Mohamed Morsi a demitir o ministro da Inteligência, considerado um dos principais remanescentes da ditadura de Hosni Mubarak no novo governo.

A resposta à crise no Sinai veio depois que o presidente passou a ser acusado de omissão diante da morte dos soldados egípcios. Morsi foi criticado por não ter ido ao enterro das vítimas e seu primeiro-ministro, Hisham Kandil, acabou hostilizado na cerimônia e deixou o local. Citando fontes não identificadas, a imprensa egípcia afirmou que pelo menos 20 jihadistas morreram na ofensiva aérea de ontem. A cifra oficial, porém, não foi revelada.

As decisões de ontem revelaram uma inesperada cooperação entre o presidente, da Irmandade Muçulmana, e os militares do Cairo, que pouco antes da eleição de junho limitaram por decreto os poderes do chefe do Executivo. Morsi ordenou ao Ministro da Defesa, Hussein Tantawi, a troca do comando da polícia nacional - força que reprimiu os protestos iniciados em janeiro de 2011, acusada de vários abusos contra manifestantes. O presidente também afastou o governador da Província do Norte do Sinai, além de o chefe da polícia militar.

As destituições foram comunicadas horas depois de helicópteros das Forças Armadas do Egito atacarem com foguetes militantes no Sinai. O número de vítimas no ação não foi revelado. A operação, afirmou o governo, era parte de uma "ofensiva para restaurar a estabilidade" na região desértica que faz fronteira com a Faixa de Gaza e Israel.

Foi a primeira vez que o Egito bombardeou o Sinai pelo ar desde a guerra de 1973 contra os israelenses. Os acordos de paz de 1979 limitam o número de tropas na região e impõem a desmilitarização de pontos estratégicos - motivo pelo qual, segundo o Cairo, o Sinai atrai criminosos e terroristas.

Cooperação. A ordem para o bombardeio teria sido concedida pouco após uma reunião do Conselho Nacional de Defesa, colegiado recém-criado do qual fazem parte Morsi, comandantes militares e autoridades do setor de inteligência.

A eleição de Morsi, há dois meses, foi cercada de rumores sobre a iminente tensão entre o líder islamista e os militares. Formado majoritariamente por militares, o novo conselho de defesa toma decisões por maioria simples. Portanto, os generais apoiaram o ataque aéreo no Sinai.

Forte aliado do Cairo, o governo americano elogiou a resposta do governo egípcio ao ataque. O secretário de imprensa da Casa Branca, Jay Carney, comemorou a "vontade (do Egito) de agir quando necessário" diante da ameaça jihadista no Sinai.

Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Patrick Ventrell afirmou que Washington respalda os esforços para levar à Justiça os militantes que atacaram a fronteira. "O governo americano apoia os atuais esforços do Egito para proteger seu povo e outros na região do terrorismo e da crescente anarquia no Sinai", afirmou. / AP

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