Khaled Elfiqi/Efe
Khaled Elfiqi/Efe

Presidente do Egito afasta ministro da inteligência e ordena ofensiva no Sinai

Morsi troca ainda chefe da polícia nacional e governador, sinal de cooperação entre líder islamista e militares

estadão.com.br,

08 de agosto de 2012 | 21h42

CAIRO - Após dias de silêncio, o Egito lançou nesta quarta-feira, 8, um bombardeio aéreo contra alvos de militantes islâmicos suspeitos de matar 16 guardas de fronteira na Península do Sinai, no domingo. O caso levou o presidente Mohamed Morsi a demitir o ministro da Inteligência, considerado um dos principais remanescentes da ditadura de Hosni Mubarak no novo governo.

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A resposta à crise no Sinai veio depois que o presidente passou a ser acusado de omissão diante da morte dos soldados egípcios. Morsi foi criticado por não ter ido ao enterro das vítimas e seu primeiro-ministro, Hisham Kandil, acabou hostilizado na cerimônia e deixou o local. Citando fontes não identificadas, a imprensa egípcia afirmou que pelo menos 20 jihadistas morreram na ofensiva aérea. A cifra oficial, porém, não foi revelada.

As decisões desta quarta revelaram uma inesperada cooperação entre o presidente, da Irmandade Muçulmana, e os militares do Cairo, que pouco antes da eleição de junho limitaram por decreto os poderes do chefe do Executivo. Morsi ordenou ao Ministro da Defesa, Hussein Tantawi, a troca do comando da polícia nacional – força que reprimiu os protestos iniciados em janeiro de 2011, acusada de vários abusos contra manifestantes. O presidente também afastou o governador da Província do Norte do Sinai, além do chefe da polícia militar.

As destituições foram comunicadas horas depois de helicópteros das Forças Armadas do Egito atacarem com foguetes militantes no Sinai. O número de vítimas na ação não foi revelado. A operação, afirmou o governo, era parte de uma "ofensiva para restaurar a estabilidade" na região desértica que faz fronteira com a Faixa de Gaza e Israel.

Foi a primeira vez que o Egito bombardeou o Sinai pelo ar desde a guerra de 1973 contra os israelenses. Os acordos de paz de 1979 limitam o número de tropas na região e impõem a desmilitarização de pontos estratégicos – motivo pelo qual, segundo o Cairo, o Sinai atrai criminosos e terroristas.

Cooperação

A ordem para o bombardeio teria sido concedida pouco após uma reunião do Conselho Nacional de Defesa, colegiado recém-criado do qual fazem parte Morsi, comandantes militares e autoridades do setor de inteligência.

A eleição de Morsi, há dois meses, foi cercada de rumores sobre a iminente tensão entre o líder islamista e os militares. Formado majoritariamente por militares, o novo conselho de defesa toma decisões por maioria simples. Portanto, os generais apoiaram o ataque aéreo no Sinai.

Forte aliado do Cairo, o governo americano elogiou a resposta do governo egípcio ao ataque. O secretário de imprensa da Casa Branca, Jay Carney, comemorou a "vontade (do Egito) de agir quando necessário" diante da ameaça jihadista no Sinai.

Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Patrick Ventrell afirmou que Washington respalda os esforços para levar à Justiça os militantes que atacaram a fronteira. "O governo americano apoia os atuais esforços do Egito para proteger seu povo e outros na região do terrorismo e da crescente anarquia no Sinai", afirmou.

Com AP 

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