Presidente do Egito diz ser contra intervenção estrangeira na Síria

O Egito se opõe a uma intervenção militar estrangeira para acabar com a guerra civil na Síria e prefere um acordo negociado, disse o novo presidente egípcio, Mohamed Mursi, nesta quarta-feira.

AMENA BAKR, Reuters

26 de setembro de 2012 | 17h01

"O Egito está comprometido a prosseguir com os esforços sinceros que vem exercendo para pôr fim à catástrofe na Síria dentro de uma estrutura árabe, regional e internacional", afirmou Mursi em seu primeiro discurso à Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Essa solução deve ser aquela "que preserva a unidade deste Estado fraternal, envolva todas as facções do povo sírio sem discriminação racial, religiosa ou sectária e poupe a Síria dos perigos de uma intervenção militar estrangeira que nos opomos", declarou ele.

Os comentários de Mursi contrastam com os do líder do Catar, xeique Hamad bin Khalifa al-Thani, que pediu aos países árabes na terça-feira para ignorarem o Conselho de Segurança da ONU e intervirem diretamente para encerrar o derramamento de sangue na Síria.

Mursi tem sido direto sobre o conflito sírio desde que assumiu o cargo, em 30 de junho. Ele descreveu o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, como "opressivo" e disse que é necessário apoiar o povo do país.

"Vamos continuar a trabalhar para pôr fim ao sofrimento do povo sírio e lhes proporcionar a oportunidade de escolher livremente qual regime os representa melhor", disse Mursi.

No entanto, o presidente islâmico cancelou um encontro com quatro potências regionais sobre a crise na Síria --Egito, Irã, Turquia e Arábia Saudita-- prevista para esta semana devido à ausência do primeiro-ministro turco na Assembleia-Geral da ONU.

Na esteira dos protestos anti-Estados Unidos no Egito e em outros países muçulmanos desencadeados por um vídeo feito na Califórnia que insulta o profeta Maomé, Mursi pediu uma compreensão maior e "respeito" pelas crenças culturais e religiosas.

"O que os muçulmanos e imigrantes estão passando em algumas regiões do mundo em termos de discriminação e violação dos seus direitos humanos ... é inaceitável", disse ele.

"Essas práticas se espalharam bastante e agora carregam um nome: 'islamofobia'", acrescentou.

"O Egito respeita a liberdade de expressão que não é usada para incitar o ódio contra ninguém", afirmou Mursi, repetindo comentários de vários outros líderes de países muçulmanos.

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