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Egito envia submarino para buscar caixas-pretas de Airbus

Rastreamento se concentra no mar, na costa da cidade egípcia de Alexandria, onde foram achados destroços

O Estado de S. Paulo

22 Maio 2016 | 10h55

CAIRO - O Egito enviou neste domingo, 22, um submarino para ajudar nas buscas das caixas-pretas do avião da EgyptAir, que caiu com 66 pessoas a bordo no Mar Mediterrâneo, disse o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi.

Embarcações e aviões das Forças Armadas egípcias e francesas rastreavam pelo terceiro dia consecutivo o mar entre a Ilha de Creta e a costa norte do Egito, a 290 quilômetros da cidade de Alexandria, tentando localizar a cabine do Airbus A320 e suas duas caixas-pretas, que só emitem sinais debaixo d’água durante quatro e cinco semanas antes de que se descarreguem suas baterias. As caixas-pretas poderiam esclarecer a causa do acidente de quinta-feira. Nessa região foram encontrados os primeiros fragmentos do avião, assim como restos humanos e objetos pessoais dos passageiros. 

Sisi disse que os equipamentos subaquáticos da indústria de petróleo offshore do Egito estavam sendo enviados para ajudar na operação de busca.

“Eles têm um submarino que pode chegar a 3 mil metros sob a água”, disse o líder egípcio em um discurso televisionado. “Ele foi enviado hoje para o local do acidente de avião, porque estamos trabalhando duro para resgatar as caixas-pretas”, acrescentou Sisi.

Investigadores franceses disseram no sábado que o avião enviou uma série de avisos indicando que havia sido detectada fumaça a bordo, pouco antes de a aeronave desaparecer das telas de radar.

Os sinais não indicam o que causou a fumaça ou fogo, e especialistas em aviação não descartaram a possibilidade de qualquer sabotagem deliberada ou uma falha técnica, mas são indícios do que aconteceu nos momentos antes do acidente.

“Podemos confirmar que os sensores do aparelho emitiram mensagens que indicavam que havia fumaça na cabine pouco antes de as comunicações serem interrompidas”, disse um porta-voz do Escritório de Investigação e Análise (BEA) da França.

O BEA está associado à investigação do acidente porque o avião, um Airbus, é montado na França, e também porque a aeronave tinha partido do aeroporto parisiense de Roissy-Charles de Gaulle e 15 de seus 66 ocupantes eram franceses.

Os sinais de presença de fumaça são emitidos automaticamente através de um sistema denominado ACARS, acrescentou o porta-voz.

Pilotos consultados pela agência EFE disseram que a presença de fumaça explicaria por que a tripulação tentou descer a elevada velocidade. As autoridades gregas informaram que o avião perdeu altitude rápido e efetuou manobras bruscas. A hipótese de atentado terrorista permanece sobre a mesa, apesar de nenhum grupo radical ter assumido a autoria de um possível ataque. O acidente foi o terceiro desde outubro a afetar a aviação do Egito, que ainda se recupera do levante de 2011 que levou à queda do presidente Hosni Mubarak.

Parentes das vítimas participaram neste domingo de missa na Catedral Ortodoxa de Abasiya, no Cairo, em homenagem aos mortos. A cerimônia foi uma iniciativa do papa cristão copta Teodoro II, líder da Igreja Ortodoxa do Egito, à qual pertenciam 9 dos que estavam a bordo. / REUTERS e EFE 

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