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Presidente do Egito pede ‘diálogo’ para evitar crise com militares

Mohamed Morsi afirmou estar 'comprometido com as determinações dos juízes egípcios'

AP,

11 de julho de 2012 | 17h42

CAIRO - O presidente do Egito, Mohamed Morsi, tentou nesta quarta-feira, 11, acalmar os ânimos e evitar que a tensão entre ele e os militares escale para uma crise institucional no Cairo. Morsi afirmou que deseja "dialogar" com a Justiça, alinhada aos generais, em meio a uma disputa pela restituição do Congresso empossado este ano.

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"Haverá consultas entre todas as forças políticas, instituições e autoridades judiciais para encontrarmos a melhor saída a essa situação e superarmos, juntos, o presente estágio", afirmou Morsi por meio de um comunicado. O presidente, continua a nota, está "comprometido com as determinações dos juízes egípcios e muito desejoso em conduzir os poderes do Estado e evitar qualquer confrontação."

Em menos de uma semana no cargo, Morsi envolveu-se em um embate institucional sem precedentes no Egito. Uma de suas primeiras decisões foi emitir um decreto reinstituindo o Parlamento, que havia sido dissolvido pelos militares. No dia seguinte, a Justiça rejeitou o decreto presidencial e os generais emitiram uma nota exortando-o a "respeitar a Constituição". Na terça-feira, em desafio a juízes e militares, os deputados entraram no Congresso e fizeram uma sessão de menos de cinco minutos, antes de declararem recesso de uma semana.

"Morsi quer achar uma solução para o vácuo legislativo causado pela dissolução do Parlamento", afirmou o porta-voz do presidente, Yasser Ali.

Eleito entre o fim do ano passado e janeiro, o Parlamento é dominado pela Irmandade Muçulmana - da qual Morsi faz parte - e outros grupos islâmicos. Os militares, que governam o Egito desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011, temem perder seus históricos privilégios diante e assistir a tomada do poder pelos grupos religiosos.

O braço de ferro no Cairo fez acender o sinal amarelo em Washington. Após semanas de silêncio sobre a disputa, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, exortou os dois lados a "moderar" as posições. Os americanos doam anualmente US$ 1,3 bilhão para as Forças Armadas do Egito. 

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