Presidente do Egito pede 'diálogo' para evitar crise

Mohamed Morsi promete evitar 'confronto' com juízes e militares em meio à disputa sobre dissolução do Congresso

CAIRO, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2012 | 03h01

O presidente do Egito, Mohamed Morsi, tentou ontem acalmar os ânimos e evitar que a tensão entre ele e os militares chegue a uma crise institucional no Cairo. Morsi afirmou que deseja "dialogar" com a Justiça, alinhada aos generais, em meio a uma disputa pela restituição do Congresso empossado este ano.

"Haverá consultas entre todas as forças políticas, instituições e autoridades judiciais para encontrarmos a melhor saída para essa situação e superarmos, juntos, o atual estágio", afirmou Morsi por meio de um comunicado.

O presidente, continua a nota, está "comprometido com as determinações dos juízes egípcios e muito desejoso em conduzir os poderes do Estado e evitar qualquer confrontação."

Em menos de uma semana no cargo, Morsi envolveu-se em um embate institucional sem precedentes no Egito. Uma de suas primeiras decisões foi emitir um decreto reinstituindo o Parlamento, que havia sido dissolvido pelos militares. No dia seguinte, a Justiça rejeitou o decreto presidencial e os generais emitiram uma nota exortando-o a "respeitar a Constituição".

Na terça-feira, desafiando juízes e militares, os deputados entraram no Congresso e fizeram uma sessão de menos de cinco minutos, antes de declararem recesso de uma semana.

Eleito entre o fim do ano passado e janeiro, o Parlamento é dominado pela Irmandade Muçulmana - da qual Morsi faz parte - e outros grupos islâmicos. Os militares, que governavam o Egito desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011, temem perder seus históricos privilégios e assistir à tomada do poder pelos grupos religiosos. / ASSOCIATED PRESS e REUTERS

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