REUTERS/ Santiago Arcos
REUTERS/ Santiago Arcos

Presidente do Equador anuncia abertura de diálogo com indígenas

Lenín Moreno disse contar com intermediação de diversos setores para construir entendimento com os povos indígenas; ex-presidente Rafael Correa negou 'golpismo' e pediu novas eleições

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2019 | 02h48

QUITO - O presidente do Equador, Lenín Moreno, anunciou que iniciou um diálogo com o setor indígena, um dos mais atuantes nos protestos contra o aumento do preço dos combustíveis,que tomam o país desde a semana passada. O anúncio foi feito nesta terça-feira, 8, mesmo dia em que manifestantes ligados à Conferência Nacional Indígena do Equador (Conaie) invadiram o prédio da Assembleia Nacional, em Quito.

Em um discurso difundido pelo rádio e pela televisão, Moreno declarou que o diálogo foi iniciado com a ajuda de reitores de universidades, representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) e de setores políticos, econômicos, sociais e religiosos do país.

"Sem dúvidas, é difícil entrar em acordo com tantas organizações (indígenas), mas esse é precisamente esse tipo de esforço que cabe ao governo", disse.

Questionado se pensou em renunciar após os protestos, o presidente negou. "Sob nenhuma circunstância, e não vejo porque teria que fazer isso se estou tomando as decisões corretas", respondeu.

Ex-presidente nega ter planejado Golpe de Estado

Na terça-feira, quando transferiu a sede do governo de Quito para Guayaquil, Moreno acusou o ex-presidente do Equador - e seu antigo aliado político - Rafael Correa, de estar por trás de uma tentativa de golpe de estado, apoiado pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Em entrevista à agência de notícias Reuters, Correa negou esteja orquestrando um golpe contra o governo em seu exílio voluntário na Bélgica.

"São tão mentirosos que se contradizem. Dizem que sou tão poderoso que de Bruxelas, com um iPhone, poderia liderar os protestos... estão mentindo", disse Correa à agência Reuters erguendo o celular. 

"As pessoas não aguentavam mais, esta é a verdade", disse, referindo-se às medidas de austeridade adotadas por Moreno com o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI).

'Queridos compatriotas'

Apesar de negar envolvimento com o início dos protestos, Correa se mantém ativo nas redes sociais em apoio aos manifestantes. Em um vídeo postado nesta terça-feira, 8, em sua conta no Twitter, o ex-presidente pede a antecipação das eleições no país, classifica o governo Moreno como "o pior da história do Equador" e fala que "os dias de glória" estão voltando.

"Destruíram a nossa pátria, mas nós nos levantaremos e seguiremos adiante. Dessa duríssima lição, todos devemos aprender algo. Nossos jovens não conheceram o 'país antigo', outros o esqueceram. Agora ele está de volta", diz ao iniciar o vídeo.

Na sequência, Correa questiona o aumento no preço dos combustíveis, acusando o atual presidente de costurar o acordo com o FMI - que resultou no fim dos subsídios ao setor, e no consequente aumento dos preços - prejudicando os mais pobres.

"É pura corrupção e incapacidade, enquanto eles reduzem seus próprios impostos. Minha solidariedade a todas as vítimas da mais brutal repressão que minha geração já viu. O dano ao país é imenso. Não só internamente, mas também quanto ao prestígio internacional."

Citando a imprensa e adversários políticos, o ex-presidente disse ainda que "o pior governo da história do país" foi construído a partir do "ódio e temor" que  eles manteriam por ele mesmo, Correa.

"Agora nos chamam de golpistas, quando eles que destruíram a constituição e a democracia. Vamos entender que aqui não há golpismo. Em uma democracia, os conflitos se resolvem nas urnas, e é exatamente isso que pedimos. Seguindo estritamente a constituição, que permite antecipar as eleições em caso de grave convulsão social. O problema é que eles sabem que a resposta que lhes daremos nas urnas será mais contundente do que a que estamos lhes dando nas ruas." /AP, AFP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.