Rodrigo Buendia/AFP
Rodrigo Buendia/AFP

Presidente do Equador propõe referendo sobre eleição de Maduro

Lenín Moreno afirmou que a realização de um referendo na Venezuela para verificar se os cidadãos do país endossam ou não a eleição de Nicolás Maduro é o único caminho para solucionar a crise no país

O Estado de S.Paulo

06 Junho 2018 | 16h38

CARACAS - O presidente do Equador, Lenín Moreno, propôs nesta quarta-feira, 6, a realização de um referendo na Venezuela para verificar se os cidadãos do país endossam a reeleição de Nicolás Maduro como presidente, ou se é necessário convocar novas eleições em curto prazo.

+ OEA aprova resolução que dá início a processo de suspensão da Venezuela

Moreno sugeriu o referendo depois de a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovar na terça-feira a resolução que dá início ao processo de suspensão da Venezuela da instituição por causa do resultado das eleições presidenciais na Venezuela.

Por meio de sua conta no Twitter, Moreno enviou uma carta em que listou várias irregularidades na eleição de 20 de maio, que garantiu a reeleição de Maduro. “A escassa participação popular e ausência de garantias para a oposição, nos chama a propor uma solução democrática para a crise que a Venezuela está experimentando.”

No comunicado, Moreno considera que a consulta deveria “proporcionar garantias de transparência e participação de todos os venezuelanos, sem qualquer exclusão”, com todos os partidos políticos, a sociedade civil e o apoio de “organizações internacionais especializadas, como a OEA”.

Moreno lembrou que os equatorianos, assim como os demais povos da região, “tiveram de conhecer de perto a situação da Venezuela”, já que “diariamente testemunha a chegada de milhares de irmãos venezuelanos, que são forçados a abandonar seu país em condições sub-humanas”.

Moreno disse que seu governo não vai permanecer em silêncio sobre esta questão, pois “a situação social, econômica e política da Venezuela se tornou insuportável para os seus cidadãos”.

“Mas a única ferramenta que pode dar uma solução real e duradoura para resolver as diferenças e os problemas na Venezuela é o diálogo democrático”, afirmou Lenín Moreno.

O presidente do Equador também afirmou que “este país irmão está experimentando sérias dificuldades por causa das sanções econômicas internacionais. “Estamos convencidos de que as sanções não contribuem para a solução do problema. Ao contrário, criam uma tensão interna maior e punem os mais necessitados. 

Um dos líderes da oposição, Julio Borges, ex-presidente da Assembleia Nacional, apoiou a proposta do Equador. “Esta consulta deve dar garantias de transparência e participação a todos os venezuelanos”, afirmou Borges na quarta-feira, 6, em entrevista à Union Radio da Venezuela. “Mas para ter efeito, é preciso que outro árbitro eleitoral, não o Conselho Nacional Eleitoral (CNE)”, disse Borges. “Essa consulta popular pode ter resultados excelentes para a democracia da Venezuela.”

A Mesa da Unidade Democrática (MUD), a coalizão de oposição à qual Borges pertence, não comentou a proposta do Equador. A MUD não reconhece a reeleição de Maduro e também não participou da eleição, em 20 de maio.

Henri Falcón, o único candidato da oposição que participou da eleição de 20 de maio, disse que a sugestão de Moreno pode “resultar em uma saída pacífica para a crise no país”. O governo da Venezuela não se manifestou./ EFE e REUTERS 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.