Presidente do Haiti pede calma a manifestantes

O presidente do Haiti, RenéPréval, pediu na quarta-feira aos manifestantes que "seesfriem" após vários dias de violentos protestos contra ainflação dos alimentos. "Aos que estão alimentando a violência, ordeno que parem,porque não vai resolver o problema", disse ele em cadeia derádio e TV. "Pozé" ("esfriem-se", em idioma creole), afirmou ele, namensagem gravada no suntuoso Palácio Nacional, protegido porarames farpados, blindados e soldados estrangeiros. Esse tão esperado pronunciamento, no qual Préval acenou compossíveis subsídios para o aumento da produção doméstica dearroz e outros produtos, ocorre um dia depois de osmanifestantes paralisarem a capital e invadirem o palácio paraexigir providências contra o custo de vida. Pelo menos cinco pessoas morreram em uma semana demanifestações no Haiti, onde 80 por cento da populaçãosobrevive com menos de dois dólares por dia. O aumento do petróleo e dos combustíveis, a forte demandapor alimentos na Ásia, o uso de terras aráveis para a produçãode biocombustíveis, o mau tempo e especulações no mercadofuturo se somaram para provocar uma elevação mundial no preçodos alimentos, o que provoca protestos em diversos paísespobres. Na quarta-feira, pequenos grupos de manifestantesreconstruíram suas barricadas nas ruas de Porto Príncipe,destruídas durante a noite pela polícia, e continuaramqueimando pneus. Há relatos de saques em alguns bairros, e aconfusão torna muitas ruas intransitáveis. "Vocês ainda não viram nada," disse o manifestante JeantiMathieu, 22 anos, que ajudava a montar uma barricada com sucatade carros, blocos de concreto e entulho. "Estamos esperando o governo nos dizer o que vai fazer. Docontrário, vocês podem esperar o pior", disse ele, pouco antesdo discurso presidencial. Mas Préval disse que o governo não tem condições de abrirmão de impostos sobre alimentos importados, uma das exigênciasdos manifestantes. Antes, o governo havia anunciadoinvestimentos de milhões de dólares em agricultura einfra-estrutura para criar empregos e aumentar a produção dealimentos. "Ao invés de subsidiar o preço dos produtos alimentíciosvindos de fora, preferimos subsidiar a produção nacional",disse Préval. "Proponho que o preço do fertilizante sejasubsidiado em 50 por cento ou até mais." "Não é com violência e com decisões econômicas fáceis quevamos resolver o problema do custo de vida elevado. É apoiandoa produção nacional", acrescentou. Segundo ele, funcionários públicos com salários de cerca de800 dólares por mês serão convidados a abrir mão de 10 cento deseus vencimentos, para liberar dinheiro para outros usos. Masele salientou que o Haiti não tem controle sobre os preçosglobais. Os haitianos assistem a uma disparada nos preços do arroz,do milho, do feijão, do óleo e de outros itens. Em algunscasos, o valor dobrou em um semestre. Na terça-feira, membros da força da ONU sob comando doBrasil usaram balas de borracha e gás lacrimogêneo para evitaruma invasão do palácio presidencial.

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