Presidente do Iêmen deixa UTI na Arábia Saudita

Governo iemenita diz que Saleh deve retornar ao país nos próximos dias; oposição volta a defender transição negociada e promete novos protestos

AFP e Reuters, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2011 | 00h00

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, deixou ontem a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital militar da Arábia Saudita, onde está internado desde sábado. De acordo com fontes iemenitas e sauditas, o estado de saúde de Saleh é estável. O presidente, vítima de um ataque de combatentes tribais a seu complexo presidencial em Sanaa, deve passar por uma cirurgia plástica nos próximos dias.

"Saleh superou problemas de saúde depois da cirurgia e deve retornar ao Iêmen após completar sua recuperação", informou o governo iemenita. Com 40% do corpo queimado, o presidente já havia sido operado para remover fragmentos de madeira alojados em sua pele após a explosão.

No Iêmen, partidários do presidente preparam seu retorno. Homens armados fiéis a Saleh celebraram sua saída da UTI com tiros para o alto. Eles devem tomar as ruas da capital Sanaa hoje em uma marcha batizada de "Fidelidade a Saleh".

Os opositores, que desde fevereiro pedem a renúncia do líder, também marcaram um protesto hoje. Eles defendem uma transição liderada pelo vice-presidente, Abd-Rabbu Mansour Hadi. "O mandato dele acabou. Todo o mundo terá de fazer o possível para que ele volte ao país como um cidadão comum", disse o porta-voz dos manifestantes, Wasim al-Qirshi.

O líder da oposição iemenita, Mohamed al-Mutawakkil, disse ontem para líderes do partido de Saleh que criaria uma assembleia de transição no prazo de um ano, caso o vice-presidente não inicie o processo. Um acordo proposto pelo Conselho de Cooperação do Golfo previa a saída do ditador em troca de anistia, mas ele se recusou a assiná-lo três vezes.

Terrorismo. Dez militantes da Al-Qaeda e três militares morreram em combates na região de Zinjibar, no sul do Iêmen. De acordo com o New York Times, o governo americano tem aumentado os ataques com aviões não tripulados contra militantes na região.

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