Presidente do Iêmen deixará poder no final do ano; oposição rejeita anúncio

Ali Abdala Saleh já havia recusado proposta da oposição que propunha renúncia para mesma data

Associated Press

22 de março de 2011 | 08h02

SANAA - O presidente Ali Abdala Saleh está disposto a deixar o governo do Iêmen no final do ano como parte de um transferência "constitucional" do poder, informou esta terça-feira, 22, um porta-voz do governo. O anúncio foi rejeitado pela oposição iemenita.

 

Veja também:

especialInfográfico:  A revolta que abalou o Oriente Médio

mais imagens Galeria de fotos: Veja imagens dos protestos na região

 

"A oposição rejeita a oferta, já que as próximas horas serão decisivas", disse Mohamed al-Sarby, porta-voz do principal grupo de oposição.

 

O porta-voz do governo, Ahmed al-Sufi, disse à Associated Press que Saleh comunicou sua decisão a outras autoridades, comandantes militares e líderes tribais em reuniões realizadas na noite de segunda-feira.

 

O presidente Saleh prometeu também que nunca entregará o poder às forças armadas, indicou o porta-voz.

 

As declarações atribuídas à Saleh representam uma mudança de posição, já que no começo do mês o presidente rechaçou uma proposta da oposição pedindo para que saísse do poder no final do ano.

 

Ontem, importantes membros do exército e do corpo diplomático iemenita anunciaram que estavam abandonando o governo em protesto contra a violenta repressão usada contra os manifestantes que pedem há semanas reformas constitucionais e a saída de Saleh do poder.

 

Golpe de Estado

 

Saleh advertiu que qualquer tentativa de golpe de Estado para tomar o poder levará o país a uma guerra civil.

 

Saleh fez esta declaração durante uma reunião do Conselho Supremo das Forças Armadas, transmitida ao vivo pela televisão pública iemenita.

 

"Cada dirigente tem de assumir sua responsabilidade em sua região para manter a segurança da instituição militar, porque qualquer divisão se refletirá negativamente na estabilidade da nação", afirmou.

 

Ele insistiu que a instituição militar é "estável" e deve respeitar as leis e a Constituição do país, um dia após o 'número 2' do Exército anunciar sua deserção por se unir aos manifestantes que há quase dois meses protestam contra Saleh.

 

"Os jovens da revolução são vítimas de forças políticas antigas, cujo objetivo é o poder, e depois que chegarem ao poder, renunciarão", declarou o presidente.

 

Veja também:

link Crise no Iêmen se agrava e ditador perde apoio no governo e no Exército

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.