Presidente do Iêmen demite equipe de governo

O presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, demitiu todo o seu governo no domingo após uma série de aliados terem rompido com ele em um momento no qual enfrenta crescente pressão e protestos de rua que pedem a sua renúncia.

MOHAMED SUDAM E MOHAMMED GHOBARI, REUTERS

20 de março de 2011 | 18h41

Foram enterrados alguns dos 52 manifestantes mortos por atiradores de elite localizados sobre os edifícios durante a sexta-feira de orações no Estado da Península Árabe, onde dezenas de milhares de pessoas protestam há semanas pelo fim do governo de Saleh, que já dura três décadas.

"O presidente da república demitiu o governo", afirmou a imprensa estatal, acrescentando que os esforços para formar um novo gabinete já estão sendo feitos. Os motivos da medida não foram divulgados.

Yassin Noman, chefe de uma coalizão de oposição, classificou a medida como "uma tentativa de diminuir as repercussões que o regime enfrenta após a saída de vários ministros e embaixadores."

O massacre de sexta-feira fez Saleh, um importante aliado dos Estados Unidos na luta contra a Al Qaeda, declarar estado de emergência por 30 dias, o que restringe a liberdade de movimento e o direito a agrupamentos. A medida também dá à polícia mais poderes para realizar inspeções e prisões.

O embaixador do Iêmen nos EUA, Abdullah Alsaidi, renunciou neste domingo, quando as deserções ganharam força.

Em Sanaa, as famílias começaram a enterrar os mortos do massacre em valas adjacentes em um pequeno cemitério próximo a um acampamento militar.

A polícia, que foi apontada pelos manifestantes como responsável pelas mortes, retirou-se dos locais públicos perto das regiões de protesto, sendo substituída por soldados vestidos com uniformes camuflados, mas portando apenas cassetetes, em uma aparente tentativa de aliviar as tensões.

"Isso é o reconhecimento do fracasso da segurança em reprimir a revolução, e as multidões que vieram são um sinal de que estamos prontos para mais sacrifícios adiante", afirmou o porta-voz da oposição, Mohammed al-Sabry.

Uma fonte do governo afirmou que a vizinha Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, tem tentado calmamente mediar o conflito mesmo antes de sexta-feira, e que tais esforços prosseguem.

Tanques montaram guarda perto do palácio presidencial em Sanaa, e veículos blindados foram posicionados do lado de fora de importantes localidades.

Mas a tensão na capital aparentemente baixou, e as ambulâncias transportaram os corpos, enrolados em bandeiras do Iêmen, ao cemitério. No acampamento de manifestantes, próximo à Universidade de Sanaa, pessoas colocaram rosas em um local onde cinco opositores morreram.

"Temos um objetivo, mas revoluções requerem sacrifícios, e estamos dispostos a dar mais do nosso sangue por nossa causa", afirmou Wassim al-Qudsi, um jovem que estava entre as pessoas que velavam os corpos.

Saleh, que também tentou obter a trégua no norte e suprimir o separatismo no sul, rejeitou os pedidos para renunciar imediatamente. Ele prometeu deixar o cargo em 2013 e ofereceu uma nova Constituição para dar mais poderes ao Parlamento.

(Reportagem adicional de Cynthia Johnston, em Sanaa; e de Mohammed Mukhashaf, em Áden)

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