Presidente do Iêmen diz que só entrega poder a 'mãos seguras'

Milhares de pessoas a favor e contra o presidente tomam as ruas da capital, Sanaa

AE, Agência Estado

25 de março de 2011 | 10h10

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, disse hoje que pretende entregar o poder em "mãos seguras". Saleh afirmou, porém, que resistirá a uma crescente campanha para sua saída do cargo, em uma manifestação de partidários do governo. "Nós ficaremos firmes com vocês, imperturbáveis em face de todos os desafios", disse Saleh.

 

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"Nós não queremos poder, não precisamos de poder. Mas precisamos entregar o poder em mãos seguras, não para mãos corruptas e odiosas", afirmou o presidente, falando a uma multidão reunida em uma praça perto do palácio presidencial. "Vocês serão os que receberão o poder", disse. Saleh pediu, mais cedo nesta semana, a realização de uma manifestação em seu favor.

As concessões e ofertas de Saleh para transferir parte de seu poder foram rechaçadas pela oposição. Ele renovou o pedido por um diálogo com os jovens que protestam contra o governo. "Eu estou pronto para falar com vocês e para formar um partido político para os jovens", disse o presidente, acusando a oposição de buscar o poder "por meio das cabeças de mártires e crianças".

Em mais um capítulo das divergências entre governo e oposição, um importante dissidente, o general Ali Mohsen al-Ahmar, não conseguiu fechar um acordo durante conversas sobre a crise política no Iêmen, disseram hoje fontes do governo e da oposição à France Presse.

 

O Iêmen é o país mais pobre da península Arábica. Além dos protestos da oposição, Saleh enfrenta uma tentativa de secessão no sul, uma rebelião xiita no norte e ações esporádicas da Al-Qaeda, que instalou no Iêmen sua principal base de operações na região.

 

A crise política iemenita tem se agravado nos últimos dias após atiradores de elite do governo terem matado 51 manifestantes na última sexta-feira. Saleh decretou estado de exceção no país e demitiu o gabinete de governo no final de semana, mas viu generais, diplomatas e líderes tribais aderirem aos protestos.

 

Na quarta-feira, o presidente prometeu convocar eleições parlamentares e um referendo constituicional ainda para este ano, mas a oposição não aceitou negociar. Ele governa o país desde 1979, quando o Iêmen era dividido entre norte e sul. Após a unificação, em 1991, ele seguiu no poder.

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