AFP PHOTO / MOHAMMED HUWAIS
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Presidente do Iêmen está desaparecido, diz porta-voz dos EUA

Abdu-Rabu Mansur Hadi teria deixado a cidade de Áden, no sul, onde estava refugiado desde fevereiro; fontes próximas ao presidente negaram mais cedo que ele tenha fugido

O Estado de S. Paulo

25 Março 2015 | 15h07

(Atualizada às 15h40) ÁDEN, IÊMEN - De acordo com o governo dos Estados Unidos, o presidente o Iêmen, Abdu-Rabu Mansur Hadi, deixou o palácio da cidade de Áden, no sul, onde ele estava refugiado há mais de um mês, desde que deixou a capital Sanaa, dominada pela milícia xiita Houthi. Seu paradeiro, no entanto, seria desconhecido afirmou uma porta do Departamento de Estado americano.

De acordo com testemunhas, moradores de Áden teriam saqueado o complexo presidencial que Hadi teria abandonado no começo da quarta-feira. Conselheiros do presidente disseram que ele teria ido para outro complexo presidencial, nas imediações de al-Tawahi. Não foi confirmado se o presidente ainda estaria no local ou se teria fugido.

Mais cedo, fontes do governo iemenita ouvidas pela Associated Press disseram que Hadi havia fugido do país. A informação, porém, foi desmentida pelo ministro de Relações Exteriores do Iêmen e por fontes ligadas ao presidente, que garantiram que ele continuava em Áden.

Avanço. Nesta quarta-feira, 25, as forças da milícia xiita houthi, apoiadas por unidades aliadas do Exército do Iêmen, se apoderaram de uma base aérea estratégica e, aparentemente, tomaram o controle do porto de Áden, no sul do país, que está em mãos de forças leais ao presidente Hadi, disseram moradores locais.

Depois de tomarem a base aérea de al-Anad, os houthis e seus aliados militares, apoiados por blindados pesados, avançaram cerca de 40 quilômetros em direção a Áden. Aviões não identificados dispararam mísseis num bairro de Áden onde fica o complexo de edifícios em que Hadi está alojado, segundo moradores. Baterias antiaéreas abriram fogo contra os aviões.


O mergulho do Iêmen em uma guerra civil faz com que o país seja uma frente crucial na rivalidade da Arábia Saudita, de maioria sunita, com o Irã, xiita. O governo saudita acusa o Irã de inflamar a luta sectária com seu apoio aos houthis.

Monarquias árabes sunitas em torno Iêmen condenaram o avanço dos houthis e têm discutido nos últimos dias uma possível intervenção militar em favor de Hadi.

Autoridades norte-americanas dizem que a Arábia Saudita está transferindo equipamento militar pesado, incluindo artilharia, para áreas próximas à fronteira com o Iêmen, aumentando o risco de que a principal potência petrolífera do Oriente Médio seja arrastada para o conflito iemenita, que se agrava.

Enquanto a batalha está sendo travada publicamente pelo movimento houthi, muitos em Áden acreditam que o verdadeiro mandante da campanha é o ex-presidente Ali Abdullah Saleh, um crítico feroz de Hadi.

Saleh foi o autor de uma ação esmagadora contra Áden em 1994, quando era presidente e sufocou uma revolta separatista do sul, em uma guerra curta, mas brutal. Ao contrário de outros líderes regionais depostos na Primavera Árabe, Saleh foi autorizado a permanecer no país.

Militares ligados a Saleh alertaram nesta quarta-feira contra a interferência estrangeira no país, dizendo em sua página na internet que o Iêmen vai confrontar tal ação "com toda a sua força".

Diplomatas suspeitam que os houthis querem tomar Áden antes de uma cúpula árabe neste fim de semana, para se anteciparem a uma já prevista tentativa da Arábia Saudita de conseguir apoio no encontro para a intervenção militar no Iêmen. / EFE, REUTERS e AP

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